Quando a psiquiatra britânica Lorna Wing introduziu o termo ‘espectro do autismo’ em 1979, seu objetivo era descentralizar diagnósticos fechados, desmontando as categorias rígidas da psiquiatria infantil. Até então, o autismo era definido de forma homogênea e restrita, excluindo muitas crianças com dificuldades sociais. A proposta de Wing visava incluir, não rotular definitivamente. Contudo, agrupar distintas condições sob o rótulo de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) resultou em diagnósticos pouco específicos. A diversidade sob o mesmo termo dificulta pesquisas e tratamentos eficazes. Estudos recentes, como o de Neale e Børglum, comprovam a existência de subtipos biológicos do autismo, apontando para diferenças genéticas marcantes entre eles. A abordagem por constelações, em vez de um espectro linear, permite identificar habilidades e dificuldades específicas de cada indivíduo, melhorando a precisão e eficácia dos tratamentos. Adotar essa nova perspectiva não apenas beneficia a clínica, mas também influencia políticas públicas e práticas educacionais, tornando-se essencial no entendimento das necessidades únicas de cada pessoa.




