‘Justiça por Orelha’: o que se sabe sobre a morte de cão comunitário em SC que
gera protestos e mobiliza celebridades
Polícia identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas
agressões que acabaram matando o animal. Cachorro tinha cerca de 10 anos e era
um dos mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis.
O que se sabe sobre a morte do cão comunitário que mobiliza protestos e
celebridades
A morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, de cerca de 10 anos, tem mobilizado moradores da Praia Brava, no Norte de Florianópolis, organizações de proteção animal, celebridades e autoridades públicas em Santa Catarina.
Polícia Civil identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento
nas agressões que acabaram matando o animal. Confira abaixo o que se sabe sobre
o caso.
O QUE ACONTECEU?
Segundo relatos de moradores, o cachorro estava desaparecido. Dias depois, uma
das pessoas que cuidavam de Orelha, o encontrou durante uma caminhada, caído e
agonizando.
Ela recolheu o animal e o levou a uma clínica veterinária, mas, devido à
gravidade dos ferimentos, não houve alternativa além da eutanásia. Em entrevista
à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, explicou como tudo
aconteceu e se emocionou ao falar sobre o caso.
> “A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada,
> achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de
> justiça, né?”, disse.
QUANTO À SUSPEITA
A Praia Brava conta com três casinhas destinadas aos cães que se tornaram
mascotes da região. Orelha era um deles.
> “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por
> alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”,
> contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os
> animais.
Em nota divulgada na sexta-feira (17), a Associação de Moradores da Praia Brava
destacou o papel afetivo do animal.
> “Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado
> espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito
> querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço
> e com os animais que aqui vivem.”
QUANTO À MOBILIZAÇÃO E PROTESTOS
Desde a morte de Orelha, moradores, protetores independentes, Organizações Não
Governamentais (ONGs) e institutos ligados à causa animal têm se manifestado
pedindo justiça.
No sábado (17), moradores da Praia Brava realizaram uma primeira mobilização
pública. Nesse último sábado (24), um novo protesto reuniu dezenas de pessoas na região.
Vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes com frases como “Justiça
Por Orelha”, os participantes caminharam acompanhados de seus próprios cães e
fizeram uma oração em homenagem ao animal.
A mobilização também ganhou força nas redes sociais, com imagens de moradores e
protetores segurando placas com a hashtag #JustiçaPorOrelha em frente aos seus
cães.
QUANTO À INVESTIGAÇÃO
Nesse domingo (25), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que a
investigação segue em andamento com acompanhamento do órgão por meio da 10ª
Promotoria de Justiça da Capital (Infância e Juventude) e da 32ª Promotoria de
Justiça da Capital (Meio Ambiente).
Também informou que diversas pessoas já foram ouvidas e novas oitivas estão
previstas para os próximos dias.
Também no domingo (25), o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), se
manifestou nas redes sociais. Em publicação no “X”, ele afirmou que a
investigação segue em andamento e informou que o caso foi redistribuído, já que
a juíza inicialmente responsável se declarou impedida. Com a conclusão do inquérito policial, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que irá analisar os elementos reunidos, avaliar os encaminhamentos cabíveis e adotar as providências previstas em lei. Quando há possível participação de adolescentes, o caso segue as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com garantias e procedimentos próprios.




