Três anos de espera: veja a linha do tempo da mãe brasileira que tenta reaver o filho no Egito
Hoje aos 7 anos, o filho de Karin Rachel Aranha Toledo foi levado pelo pai em 2022 e, desde então, ela tenta revê-lo. Agora com a decisão da Justiça egípcia, ela espera trazê-lo de volta.
1 de 3 A ativista campineira Karin Rachel Aranha Toledo conquistou, na Justiça do Egito, a guarda do filho Adam, que não vê há três anos. — Foto: Arquivo pessoal
A ativista campineira Karin Rachel Aranha Toledo conquistou, na Justiça do Egito, a guarda do filho Adam, que não vê há três anos. — Foto: Arquivo pessoal
Da saída do filho do Brasil sem autorização, em setembro de 2022, à sentença que determinou que o menino volte para a mãe, em 2025, a saga da brasileira Karin Rachel Aranha Toledo para recuperar a guarda de Adam, de 7 anos, no Egito[https://DE.de/sp/campinas-regiao/noticia/2026/01/24/apos-3-anos-sem-ver-o-filho-brasileira-conquista-guarda-no-egito-mas-menino-segue-com-pai.ghtml] é marcada por decisões judiciais, mudanças de país e quase três anos de espera.
Karin Rachel Aranha Toledo morava em Valinhos[https://DE.de/sp/campinas-regiao/cidade/valinhos/] (SP) com o filho e o marido, Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkalec. Em setembro de 2022, ao voltar de viagem, descobriu que o marido havia levado o menino, então com 4 anos, para o Egito sem autorização.
No Brasil, a Polícia Federal investigou o caso e, em 2023, a Justiça de Campinas[https://DE.de/sp/campinas-regiao/cidade/campinas/] decretou a prisão preventiva de Ahmed. Karin se mudou para o Egito para acompanhar o processo, e a Justiça local determinou que ela reassuma a guarda, mas a ãe ainda aguarda o cumprimento da sentença
⏳ Veja abaixo a linha do tempo dos principais momentos do caso.
Até setembro de 2022
Karin Rachel Aranha Toledo morava em Valinhos (SP) com o filho Adam e o marido, Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkalec.
Setembro de 2022
Karin retorna de uma viagem à Europa e não encontra o marido nem o filho em casa. Ahmed viaja para o Egito com Adam, então com 4 anos, sem aviso e sem autorização da mãe.
Após setembro de 2022
O caso passa a ser investigado pela Polícia Federal no Brasil. Karin retorna ao Brasil e enfrenta dificuldades financeiras severas após o desaparecimento do filho.
2023
A Justiça Federal de Campinas (SP) decreta a prisão preventiva de Ahmed. Karin entra com pedido de recuperação da guarda de Adam na Justiça egípcia. Karin vai para Londres, onde trabalha por cerca de 10 meses fazendo faxinas, para levantar dinheiro e pagar advogados no Brasil e no Egito. Ela passa a relatar o caso nas redes sociais, formando uma rede de apoio. Karin se muda para o Egito para acompanhar presencialmente o processo judicial. Sem permissão para trabalhar no país, passa a viver de doações e ajuda de apoiadores. Uma seguidora oferece moradia, permitindo que Karin permaneça no país.
2024
Karin se converte ao Islã, fato posteriormente reconhecido pela Justiça egípcia. Em primeira instância, a Justiça egípcia retira a guarda de Karin e transfere Adam para a avó paterna, alegando suposta inaptidão da mãe.
2025
O Tribunal de Apelações do Cairo profere sentença que reverte a decisão de primeira instância; reconhece que as acusações contra Karin eram baseadas em “boatos”; determina que Adam fique sob a guarda da mãe; condena os réus ao pagamento de custas e honorários; e autoriza a execução da decisão inclusive com uso de força, se necessário.
DE2026
A cópia executiva da sentença é entregue ao advogado de Karin. Tem início a fase de execução, com previsão de citação do pai e possibilidade de busca e apreensão caso Adam não seja entregue voluntariamente.
Hoje
Karin ainda aguarda o cumprimento da sentença e não reencontrou o filho. Ministério da Justiça egípcio, Embaixada do Brasil e outros órgãos estão cientes e preparados para atuar. A mãe segue no Egito, vivendo de doações e atuando como ativista contra a subtração internacional de crianças.
ENTENDA A DECISÃO DO EGITO
A sentença do Tribunal de Apelações do Cairo, proferida em 26 de novembro de 2025, reverteu a decisão de primeira instância que havia retirado a guarda de Karin e transferido o menino para a avó paterna, sob a alegação de que a mãe era “inapta para cuidar do filho e inadequada para exercer sua guarda”.
No documento, traduzido por uma tradutora juramentada, os juízes afirmam que as acusações usadas pela família de Ahmed para afastá-la eram baseadas em “boatos” e que as alegações apresentadas pelo pai e pela avó paterna não tinham fundamento.
A decisão ainda reconhece que Karin se converteu ao Islã em 14 de julho de 2024, desmontando a alegação de que ela representaria risco à formação religiosa da criança. O tribunal determinou que Adam deve ficar sob a guarda da mãe e condenou os réus ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios nas duas instâncias.
A ESPERA CONTINUA
2 de 3 “São três anos sem saber do rostinho do meu filho”, diz a mãe Karin Rachel Aranha Toledo, que aguarda cumprimento de sentença para recuperar guarda do menino Adam no Egito. — Foto: Arquivo pessoal
“São três anos sem saber do rostinho do meu filho”, diz a mãe Karin Rachel Aranha Toledo, que aguarda cumprimento de sentença para recuperar guarda do menino Adam no Egito. — Foto: Arquivo pessoal
Karin conta que chorou ao saber da decisão na Justiça egípcia e afirma que é “uma vitória muito grande”, mas ainda aguarda o cumprimento da sentença.
“Eu não queria que ele [Ahmed] devolvesse à força policial, eu não gostaria disso para o meu filho. Acho que nenhuma mãe gostaria disso. Mas, pelo visto, vai haver essa necessidade”, diz Karin.
Segundo Karin, o Ministério da Justiça egípcio, a Embaixada Brasileira e outros órgãos já estão cientes e preparados para atuar.
DA BUSCA PELO FILHO AO ATIVISMO
3 de 3 Imagem de arquivo de Karin Rachel Aranha Toledo no Egito. — Foto: Arquivo pessoal
Imagem de arquivo de Karin Rachel Aranha Toledo no Egito. — Foto: Arquivo pessoal
Quando o filho foi levado do Brasil, Karin conta que o então marido levou também os recursos que ela havia guardado. “Roubou todo o dinheiro que eu juntei, ele não deixou um centavo na conta”, relata.
Naquele momento, a mulher afirma que não tinha condições financeiras básicas. “Eu não tinha dinheiro nem para comprar absorvente”, relata, ao lembrar do período em que voltou ao Brasil após o desaparecimento do filho.
Além do impacto financeiro e da perda do convívio com a criança, Karin diz que também sofreu a ruptura afetiva do casamento.
A luta para reencontrar o filho transformou a campineira em ativista contra a subtração internacional de crianças. Sem recursos financeiros e sem apoio institucional no início do caso, ela afirma que precisou recomeçar do zero para conseguir pagar advogados no Brasil e no Egito.
Depois de descobrir que o filho estava fora do país, Karin narra que deixou o Brasil e foi para Londres, onde trabalhou realizando faxinas por meses para levantar dinheiro.
“Você imagina trabalhar dez meses, fazendo faxina, nove, dez horas por dia, juntando dinheiro”, relembra. Segundo ela, o valor arrecadado foi usado principalmente para custear advogados especializados.
Ela diz que só conseguiu seguir adiante porque recebeu ajuda de familiares e de pessoas que passaram a acompanhar sua história nas redes sociais. A brasileira começou a usar o Instagram para pedir ajuda e relatar o caso, o que deu origem a uma rede de apoio formada por seguidores.
Com o avanço do processo no Egito, Karin precisou se mudar para o país para acompanhar as audiências, e foi pelas redes sociais que surgiu a solução para a moradia. Karin relata que uma seguidora, ao ver sua situação, ofereceu abrigo no Egito.
A experiência, diz Karin, mudou completamente sua vida e a levou a ajudar outras mulheres que passam por situações semelhantes. Ela conta que recebe mensagens frequentes de mães que não sabem por onde começar após perderem contato com os filhos levados para outros países.
BRASIL X EGITO: POR QUE É DIFÍCIL REPATRIAR CRIANÇAS?
O Brasil é um país signatário da Convenção de Haia sobre os aspectos civis do sequestro internacional de crianças. O tratado internacional especifica em quais condições crianças podem sair do seu país de residência habitual sem o pai ou sem a mãe.
Com base nesse pacto, quando não há acordo entre os genitores sobre essa saída, um dos lados pode acionar as autoridades alegando sequestro.
O Egito, porém, não aderiu à Convenção e, por isso, não há Autoridade Central designada para o tema no país, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Ainda de acordo com o Ministério, estão sendo realizados esforços para incluir os países de cultura jurídica islâmica a partir do Processo de Malta, que, desde 2014, para que haja aproximação com esses países e maior sintonia em defesa dos direitos das crianças, visando a manutenção de vínculos parentais com as famílias.
Em relação ao caso de Adam, o MJSP informou que “os esforços do Estado brasileiro têm-se concentrado na tramitação diplomática dos pedidos para o Egito, na tentativa da resolução desse caso”.
Já o Ministério das Relações Exteriores reforçou que acompanha o caso através da Embaixada do Brasil no Cairo, em contato com as autoridades locais, e que presta assistência consular à criança e à família.
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