O Supremo Tribunal Federal vai continuar passando por momentos difíceis enquanto Dias Toffoli for o relator do caso Master. A nota emitida por Edson Fachin, presidente do STF, foi vista como uma tentativa importante de defender a instituição, porém a crise persiste e o tribunal continua “sangrando”. Ministros do STF e investigadores alertam para o perigo de novas revelações negativas sobre o ministro.
A tensão dentro do Supremo permanece alta. Em uma entrevista ao jornal “Estadão”, Edson Fachin afirmou que tem maioria para adotar um código de conduta para os ministros do STF, mas reconheceu que o clima atual não é favorável para a aprovação desta norma em um ano eleitoral. Mesmo que a maioria dos ministros apoie a adoção desse código, não existe consenso durante esse período sensível.
Enquanto o código de conduta pode vir a resolver crises futuras, a crise atual persistirá enquanto Toffoli continuar como relator e tentar controlar as investigações. A postura de Toffoli será colocada à prova nos depoimentos marcados pela Polícia Federal para esta segunda e terça-feira, ambos realizados no STF. Especula-se que, durante os depoimentos anteriores, Toffoli influenciou as perguntas feitas pela delegada Janaína Palazzo, o que vai contra os procedimentos regulares.
Se Toffoli continuar interferindo nas investigações, mostrando sinais de tentativa de controle sobre o inquérito, ministros acreditam que a melhor solução seria devolver o caso para a Justiça Federal. Durante os depoimentos dos oito investigados do Master e BRB, a Polícia Federal investiga se tinham conhecimento das carteiras de crédito fraudulentas que causaram prejuízos ao Banco de Brasília.
Os dados obtidos pelo Banco Central e pela Polícia Federal indicam que as carteiras em questão não possuíam lastro e eram usadas para operações fraudulentas. Daniel Vorcaro, dono do Master, afirmou em depoimento que as carteiras não eram irregulares, porém admitiu que foi forçado a recomprá-las por ordem do Banco Central. O envolvimento de Toffoli com um advogado do Banco Master em viagem de avião particular também levanta questionamentos sobre a imparcialidade do relator do caso.




