Dossiê aponta que 80 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2025

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Pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025, diz dossiê

O novo relatório elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revela que, no ano de 2025, foram contabilizadas pelo menos 80 mortes de pessoas trans e travestis no Brasil. Mesmo apresentando uma queda significativa de 34,4% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 122 mortes, o país se mantém como o mais letal do mundo para essa população.

De acordo com o dossiê, o Brasil está no 17º ano consecutivo como o país mais perigoso para as pessoas trans em todo o mundo. O estudo apontou que a vítima mais jovem tinha apenas 13 anos. O perfil das vítimas é majoritariamente composto por “jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade”.

Os estados de Ceará e Minas Gerais tiveram o maior número de mortes, com 8 casos cada. O documento também destaca os assassinatos de diversas pessoas, como Paula Nascimento Batista, Valkiria Ferreira da Silva, Rhianna Alves, Carmen de Oliveira Alves, Neuritânia Pacheco, Gabriella da Silva Borges, Raquelly Leticia e Alice Martins Alves, ressaltando a gravidade e a violência desses crimes.

O levantamento realizado pela Antra considera informações vindas de reportagens, redes sociais e fontes não governamentais, já que o Estado brasileiro ainda não produz dados específicos sobre essa população. A entidade ressalta o risco de subnotificação, destacando a importância da visibilidade e do registro correto dos casos.

A presidente da Antra, Bruna Benevides, destaca a invisibilidade das identidades trans nos registros oficiais e a dependência da mídia para o mapeamento dos casos, enfatizando a necessidade de políticas específicas e integradas para combater a violência contra travestis e transsexuais.

A redução numérica de casos em 2025 não representa uma melhora no cenário real, conforme aponta o dossiê. Diversos fatores, como a falta de cooperação estatal, a retração da mídia tradicional, o controle nas redes sociais e o descrédito nas instituições, contribuem para a subnotificação dos casos e a complexidade do problema.

A interiorização da violência, com 67,5% dos assassinatos ocorrendo em cidades do interior, destaca a necessidade urgente de ações para prevenir e combater a violência contra travestis e transsexuais. Políticas de inclusão social, acesso a trabalho, saúde e educação, investigação adequada dos crimes, produção de dados oficiais e responsabilização dos autores são medidas essenciais para enfrentar a transfobia e garantir a segurança dessas pessoas.

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