Maior repatriação de obras de artistas negros para o Brasil no Muncab

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Mais de 600 obras de artistas negros são devolvidas ao Brasil na considerada maior repatriação já realizada no país. O material integrava uma coleção privada montada por duas estadunidenses ao longo de mais de 30 anos e agora permanecerá no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador.

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), situado no Centro Histórico de Salvador, anunciou a maior repatriação de obras de arte já realizada no Brasil. Um total de 666 peças de artistas afro-brasileiros, que faziam parte de uma coleção privada de duas estadunidenses ao longo de mais de 30 anos, passaram a integrar o acervo da instituição.

As obras chegaram a Salvador em 12 de janeiro, após um processo logístico internacional que envolveu embalagem especializada, adequação às normas de conservação museológica, trâmites alfandegários e transporte técnico especializado.

O museu considera a repatriação como um marco para o campo das artes visuais, da museologia e da cultura brasileira, por reverter o histórico de saída, apagamento e dispersão de obras produzidas por artistas negros. Muitas vezes excluídos dos circuitos institucionais, do mercado e da historiografia oficial da arte.

O Muncab é um espaço dedicado à preservação da cultura de matriz africana e destaca a forte influência na construção do Brasil. Os trabalhos abordam a identidade negra, a África, o tráfico de pessoas escravizadas, a resistência negra, e as contribuições para a música, os esportes e a culinária.

A diretora do museu, Cintia Maria, ressalta que devolver as obras ao seu lugar de origem tem um significado imensurável, permitindo à universidade pesquisar, à população acessar, e ao museu preservar esse legado em solo nacional. A diretora destaca a importância de unir tantas outras obras dentro do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira.

O evento de anúncio da repatriação contou com a presença de artistas e autoridades, como a ministra e cantora Margareth Menezes, o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, e a presidenta do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Todas as peças foram doadas pelas colecionadoras, que as adquiriram legalmente. Pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra, gravuras, estampas e outras tipologias fazem parte do acervo, que incluem nomes fundamentais da produção afro-brasileira como J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia, Manoel Bonfim, entre outros.

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