Corretora desaparecida: síndico do prédio responde a 12 processos envolvendo a mulher, diz família
Cleber Rosa de Oliveira foi denunciado pelo MP por perseguição com agravante de abuso de função. Síndico também responde a ação por lesão corporal após suposta agressão contra Daiane.
Desaparecimento de corretora de imóveis completa 40 dias
O síndico Cleber Rosa de Oliveira, que administra o prédio onde desapareceu a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no sul de Goiás, responde a 12 processos envolvendo a mulher, segundo a família.
O DE fez contato com a defesa de Cleber, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
No processo mais recente, em 19 de janeiro, 39 dias após o desaparecimento da corretora, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou Cleber pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, uma vez que ele é síndico do local onde ela reside.
Em outro processo considerado importante pela família, há uma ação penal por lesão corporal, de maio de 2025, na qual Cleber é acusado de ter dado uma cotovelada em Daiane quando ela o confrontava sobre um desligamento no fornecimento de energia.
Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro, quando desceu até o subsolo do Edifício Ametista Tower, localizado dentro do Residencial Golden Thermas, onde mora e administrava seis imóveis da família. A filha, uma adolescente de 17 anos, mora com a corretora, mas não estava no prédio no dia do desaparecimento.
“Segundo o delegado André Barbosa, à frente das investigações, o caso não está sendo tratado como crime e, até o momento, não há suspeitos para o desaparecimento. André falou, em entrevista à TV Anhanguera, que todos estão sendo tratados como envolvidos.”
> “Trabalhamos com a hipótese da Daiane ter deixado o local por conta própria ou mesmo ter sido levada do prédio. A polícia não trabalha com suspeitos porque não existe comprovação de que Daiane possa ter sido morta”, disse.
A mãe da corretora, Nilze Alves, de 61 anos, falou ao DE sobre a denúncia do MP. Segundo ela, o novo processo não soluciona o desaparecimento da filha, mas traz à família uma sensação de “justiça sendo feita”, já que Daiane teria sido perseguida por cerca de um ano.
> “É um alívio. Uma sensação de justiça sendo feita. Eu sinto muito que ela [Daiane] não esteja aqui para saber. Infelizmente, se não tivesse acontecido essa tragédia do desaparecimento, poucas pessoas saberiam o que estamos passando”, disse.
De acordo com Nilze, o síndico perseguia a filha reiteradas vezes, tanto pessoalmente quanto em grupos de WhatsApp.
Fernanda Alves, irmã da corretora, disse que a assembleia convocada por Cleber para expulsar Daiane do prédio foi irregular e confirmou a perseguição do síndico.
Ao DE, Fernanda contou que Daiane não tinha problemas com vizinhos, apenas com Cleber.
> “Pessoas que estavam na reunião votaram contra a ‘expulsão’, mas o síndico declarou que faria de tudo para impedir que ela trabalhasse no prédio”, relatou.
O advogado da família, Plínio César Cunha Mendonça, afirmou estar acompanhando todas as linhas de investigações que estão em curso, porém em sigilo, aguardando, inclusive, os resultados dos laudos periciais realizados no condomínio e demais objetos apreendidos.




