Em Goiás, o Partido Liberal (PL) vive um conflito silencioso, mas estratégico, que está impedindo uma aliança política valiosa. De um lado, a prioridade do núcleo bolsonarista é clara: eleger uma grande bancada no Senado para aprovar projetos centrais, como medidas de anistia para apoiadores. Do outro, o senador Wilder Morais, presidente estadual do partido, persiste em sua pré-candidatura própria ao governo do estado, travando negociações que beneficiariam a sigla em nível nacional.
A disputa tem nome: Daniel Vilela (MDB). O vice-governador é o candidato natural da base governista para suceder Ronaldo Caiado. Para o PL nacional, a opção racional seria formar uma aliança com Vilela, apoiando-o para governador em troca de uma vaga quase garantida no Senado para o deputado Gustavo Gayer, fortalecendo assim a bancada federal do partido.
No entanto, Wilder Morais resiste. Sua insistência em concorrer ao Palácio das Esmeraldas é vista nos bastidores como uma jogada pessoal que ignora a estratégia coletiva. O motivo é duplo: primeiro, pesquisas mostram que ele está bem atrás de Vilela na corrida pelo governo. Segundo, e mais importante, se Daniel Vilela for eleito governador em outubro, ele se tornará um concorrente direto e muito mais forte de Wilder para o Senado em 2030, reduzindo drasticamente as chances do atual senador de se reeleger.
Ou seja, ao insistir em uma candidatura com baixas chances ao governo, Wilder estaria, na prática, protegendo seu futuro político pessoal, mesmo que isso signifique sabotar uma aliança que elegeria um novo senador do PL agora e fortaleceria a capacidade de Bolsonaro de aprovar sua agenda no Congresso. Enquanto o PL nacional calcula os votos necessários no Senado, o presidente estadual do partido parece estar contando apenas os seus.



