Anúncio de exercícios militares dos EUA no Oriente Médio leva Irã a emitir alerta regional
Teerã alerta países da região e atribui instabilidade às ameaças e agressões de Trump
27 de janeiro de 2026, 18:27 hAtualizado em 27 de janeiro de 2026, 18:29 h
Porta-aviões Abraham Lincoln (Foto: Reuters) Apoie o 247 Siga-nos no Google News
247 – As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram a realização de exercícios militares de prontidão aérea no Oriente Médio, em um contexto de escalada das tensões com o Irã e de deslocamento de navios de guerra ao Golfo Pérsico. Segundo o jornal O Globo, autoridades iranianas reagiram afirmando que as ações do governo do presidente Donald Trump aumentam a instabilidade regional e advertiram que qualquer país que apoie um eventual ataque será tratado como hostil.
Em Teerã, a estratégia tem sido alertar para as consequências de um eventual ataque e deixar claro que haverá resistência contra possíveis agressões. O vice-chefe político da Guarda Revolucionária, Mohammad Akbarzadeh, afirmou que “países vizinhos que são nossos amigos, mas que permitam que seu solo, céu e águas sejam usados contra o Irã, passarão a ser considerados hostis”.
EXERCÍCIOS PARA DEMONSTRAR CAPACIDADE DE COMBATE
O anúncio da operação foi feito pelo Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares estadunidenses no Oriente Médio e em partes da Ásia. Em comunicado, o órgão informou que realizará “um exercício de prontidão de vários dias para demonstrar a capacidade de desdobrar, dispersar e sustentar poder aéreo de combate”. Segundo o texto, as manobras têm como objetivo fortalecer parcerias regionais, preparar respostas flexíveis e validar estratégias de comando e controle integradas e multinacionais em uma ampla área de operações. O comunicado não especifica se forças de outros países participarão dos exercícios.
“Nossos aviadores estão provando que podem se dispersar, operar e gerar missões de combate em condições exigentes”, afirmou Derek France, responsável pelas operações aéreas do Comando Central, em declaração divulgada pelo Pentágono. “Trata-se de manter nosso compromisso de manter aviadores prontos para o combate.”
MOMENTO SENSÍVEL
Os exercícios ocorrem em um dos momentos mais sensíveis da região desde a guerra de 12 dias iniciada por Israel contra o Irã, que resultou em ataques inéditos dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas. Desde então, o Irã enfrenta protestos em grandes cidades pelo país persa.
Nesse contexto, Trump declarou que poderia “ajudar” os manifestantes iranianos, afirmação interpretada por analistas e autoridades regionais como uma possível sinalização de ação militar. De acordo com fontes diplomáticas, o presidente estadunidense chegou a decidir pelo bombardeio do Irã, mas foi convencido a recuar após apelos de Catar, Omã e Arábia Saudita, que alertaram para os riscos à estabilidade regional.
Apesar disso, os planos não teriam sido descartados. Na semana passada, após o Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump afirmou que “estava observando o Irã” e mencionou “uma grande força indo na direção” do país, em referência ao grupo de ataque liderado pelo porta-aviões Abraham Lincoln, deslocado do Mar do Sul da China para o Oriente Médio.
PRESSÃO MILITAR E POSSIBILIDADE DE NEGOCIAÇÃO
Autoridades regionais avaliam que a mobilização militar pode indicar a preparação para um ataque, mas também funcionar como instrumento de pressão para que Teerã aceite negociar nos termos exigidos por Washington. Antes da guerra provocada por Israel, representantes iranianos mantinham um canal direto de diálogo com o governo dos Estados Unidos.
No primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do acordo internacional que limitava o enriquecimento de urânio pelo Irã em troca do alívio de sanções, pacto que permaneceu eficaz enquanto esteve em vigor. Agora, o presidente defende a suspensão total das atividades nucleares iranianas, posição rejeitada por Teerã, e pode impor exigências adicionais, inclusive no setor energético.
“Eles querem fechar um acordo. Eu sei disso. Ligaram em diversas ocasiões. Eles querem conversar”, disse Trump em entrevista ao portal Axios, publicada na segunda-feira (26).
DIÁLOGOS ENTRE IRÃ E ARÁBIA SAUDITA
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se manifestou sobre o tema em conversa com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman. Segundo Pezeshkian, “as ameaças e operações psicológicas dos americanos querem perturbar a segurança regional e não terão outro resultado senão a instabilidade para eles”.
Bin Salman declarou que seu país está disposto a “cooperar com o Irã e outros países para estabelecer a paz e a segurança” e afirmou não considerar aceitável “qualquer agressão, ameaça ou criação de tensão” contra Teerã.




