‘Queria que entendesse como é ser mulher de verdade’: prints mostram mensagens
atribuídas a PM preso por estupro de vulnerável a enteada
Vítima relatou que abusos aconteceram durante 7 anos, tendo começado quando ela
ainda tinha 8 anos. O homem era padrasto dela. .
1 de 4 Ameaças à vítima — Foto: Reprodução
Ameaças à vítima — Foto: Reprodução
Prints mostram mensagens atribuídas ao 1º sargento da Polícia Militar que foi
preso por estupro de vulnerável em Realengo, na Zona Oeste do Rio.
Em algumas mensagens, ele se refere à enteada como “gostosa do pai” e diz que criou ela para o mundo.
A investigação começou em dezembro, quando a adolescente, hoje com 15 anos,
disse para a mãe que era abusada pelo padrasto desde os 8 anos.
De acordo com o depoimento da menina, os abusos eram cometidos em momentos em
que o policial estava armado ou com armamento próximo, em cima de uma mesa ou cama.
O homem, de 49 anos, – cuja identidade será omitida para preservar a vítima –
está na Unidade Prisional da Corporação, em Niterói, Região Metropolitana do
Rio, depois de ser preso por agentes da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária
Militar (DPJM) e 33ª DP (Realengo).
2 de 4 Ameaças à vítima — Foto: Reprodução
Ameaças à vítima — Foto: Reprodução
Nas imagens anexadas ao processo, é possível ler que ele usa a família da vítima
para coagi-la: “Nós tínhamos um acordo, filha. Você sabe que o tio te ama e
nunca te faria mal. Te crio desde os 3 anos. Você não quer ficar sem sua mãe e
seu irmão, lembra?”.
A vítima, que contou à polícia que era ameaçada e que ele andava armado para
assustá-la, só teve coragem para relatar os abusos aos 15 – sete anos depois que
eles começaram.
Nas mensagens atribuídas ao preso, ele manda ela apagar o que ele enviou: “apaga
essa mensagem e para de falar dos meus carinhos, eu só queria que você
entendesse como é ser mulher de verdade. Eu te criei para o mundo, por isso te
preparei, para você não cair nas mãos de homem canalha”.
Ele ainda afirma ter tido a permissão de Deus para cometer os abusos. Veja na
imagem:
3 de 4 Ameaças à vítima — Foto: Reprodução
Ameaças à vítima — Foto: Reprodução
Depois, o homem segue com a violência psicológica, dizendo para a vítima que a
família está se acabando por culpa dela. “Você entendeu tudo errado”, afirma
ele, que também pede que a adolescente não conte nada, mesmo que seja
pressionada.
O depoimento da adolescente foi avaliado pela equipe psicológica da polícia e
Ministério Público antes de o pedido de prisão ser feito. A Justiça também
deferiu medidas protetivas para ela.
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AMEAÇAS À MÃE DA VÍTIMA
A ex-esposa, que se separou depois de saber dos abusos sofridos pela filha,
relatou ameaças de morte, também enviadas pelo telefone.
As mensagens começam com “não vai sobrar nada de você, tudo vai se resolver de
forma rápida. Eu vou ter o prazer de criar meu filho e fazer sua caveira pra ele
não sentir sua falta nem visitar seu túmulo”.
As ameaças e insultos prosseguem: “O Rio é bem perigoso, eu conheço muita gente,
nem vou ter trabalho, desgraçada”.
A partir desse momento, ele deixa de se referir carinhosamente à enteada e passa
a chamá-la por palavras de baixo calão e ressalta que é policial, além de dizer
que conhece a rotina da vítima.
4 de 4 Ameaças à mãe da vítima — Foto: Reprodução
Ameaças à mãe da vítima — Foto: Reprodução
O QUE DIZEM OS CITADOS
Em nota, a Polícia Militar disse que o acusado será submetido a processo
administrativo disciplinar, que avaliará a permanência ou não nos quadros da
corporação.
“O comando da Corporação reitera que não compactua com possíveis desvios de
conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes e que
pune com rigor os envolvidos sempre que os fatos são devidamente constatados,
respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa”, afirma o
posicionamento.
O DE tenta contato com a defesa do policial militar.
A defesa da vítima diz que já tomou as “providências judiciais” e que, devido ao
segredo de Justiça e às ameaças do réu contra a vítima, “se resguarda de maiores
detalhes”.




