Moradores do Santa Marta relatam ataques e invasões de macaco-prego nas casas
Animal circula há pelo menos 15 dias pela região; moradora foi mordida, e mãe de
2 crianças pequenas diz viver ‘em cárcere’ dentro de casa.
1 de 3 Macaco-prego tenta entrar em casa no Santa Marta ao bater na janela de
uma residência — Foto: Reprodução: Redes sociais
Macaco-prego tenta entrar em casa no Santa Marta ao bater na janela de uma
residência — Foto: Reprodução: Redes sociais
Moradores da comunidade Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, relatam medo e
insegurança com a presença constante de um macaco-prego que vem invadindo
residências com um comportamento agressivo. Há registros de tentativas de
ataque, destruição de objetos e pelo menos um caso de mordida, que levou uma
moradora a procurar atendimento médico.
O animal aparece com frequência há cerca de 15 dias, principalmente durante a
madrugada e no início da manhã. Vídeos publicados nas redes sociais mostram o
macaco circulando por becos, lajes e áreas próximas às casas.
A presença do animal tem alterado a rotina da comunidade. Moradores relatam que
passaram a evitar abrir portas e janelas em determinados horários e convivem com
o medo constante de encontros inesperados, sobretudo em casas com crianças
pequenas.
Morador do Santa Marta e guia local, Thiago Firmino afirma que a presença de
macacos na região não é incomum, por se tratar de uma área próxima à mata.
Segundo ele, no entanto, o comportamento deste animal específico foge do padrão
observado em outras ocasiões.
“Normalmente eles aparecem em grupo, pegam comida e voltam para a mata. Esse
macaco fica circulando sozinho, entra nas casas, abre janelas, armários,
geladeira. É um animal adulto, aparentemente estressado e com fome”, relatou.
Thiago conta que a sensação entre os moradores é de alerta permanente.
> “O medo é esse macaco morder uma criança ou um bebê. É um animal adulto,
> forte. As pessoas vivem em alerta o tempo inteiro”, afirma.
MORADORAS RELATAM MEDO, INVASÕES E MORDIDA
A situação é ainda mais tensa para famílias com crianças pequenas. Álissa
Paulino, mãe de 2 crianças de 1 e 3 anos, relata que o macaco já esteve em sua
casa pelo menos 4 vezes. Em uma dessas ocasiões, ele conseguiu entrar na
residência, causando estragos.
> “O macaco já apareceu várias vezes. Em uma delas, conseguiu entrar, revirou
> coisas, danificou alimentos. É um pânico dentro de casa”, disse.
Em outro episódio, segundo ela, o animal tentou avançar contra o marido. Desde
então, a família passou a manter portas e janelas fechadas, mesmo em dias de
calor intenso.
> “Tenho crianças pequenas e vivo com medo. Não consigo abrir a casa. É como
> viver em um cárcere”, afirmou.
Álissa conta que acionou o Corpo de Bombeiros 3 vezes, mas apenas em uma houve
atendimento no local, que durou menos de 20 minutos.
2 de 3 Cartão de vacinação de Rosangela Carmo, que precisou tomar vacinas e soro
após ser mordida pelo macaco — Foto: Reprodução
Cartão de vacinação de Rosangela Carmo, que precisou tomar vacinas e soro após
ser mordida pelo macaco — Foto: Reprodução
O caso mais grave relatado ocorreu no dia 18 de janeiro, quando a monitora de
van escolar Rosangela Carmo foi mordida pelo macaco ao tentar afastá-lo.
> “Quando tentei afastar, ele me mordeu de raspão. Não foi profundo, mas fiquei
> assustada”, disse.
Ela procurou atendimento no Hospital Municipal Rocha Maia, onde iniciou o
protocolo de vacinação. Segundo a moradora, foram aplicadas doses de vacina e
soro antirrábico.
> “Os médicos disseram que foi importante procurar atendimento rápido, porque
> existe risco de transmissão de doenças”, afirmou.
Rosangela também conta que continua ouvindo o animal circular pela região
durante a madrugada, especialmente por volta das 4h e 5h.
O QUE FAZER EM SITUAÇÕES COM ANIMAIS SILVESTRES
As orientações dos órgãos ambientais e de resgate são:
* Não toque, não alimente e não tente capturar o animal
* Em caso de risco iminente à vida, ou se o animal estiver preso em local
fechado com possibilidade de contenção segura, acione o Corpo de Bombeiros
pelo telefone 193
* Para situações relacionadas ao manejo ambiental, a orientação é entrar em
contato com a Prefeitura do Rio pelo 1746, informando a localização do animal
para que a Patrulha Ambiental seja acionada
* Mantenha crianças afastadas e evite circulação em áreas onde o animal esteja
presente
3 de 3 Macaco-prego é visto sobre o telhado de uma casa no Santa Marta com uma
lata de cerveja — Foto: Reprodução
Macaco-prego é visto sobre o telhado de uma casa no Santa Marta com uma
lata de cerveja — Foto: Reprodução
ORIENTAÇÕES DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS E DE RESGATE
Em notas enviadas ao G1, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Meio
Ambiente e Clima (SMAC), por meio da Patrulha Ambiental, explicaram que o
macaco-prego é um animal silvestre em vida livre, que circula em uma área urbana
inserida na zona de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca — região onde a
presença desses animais é considerada comum.
Segundo os órgãos, não há indicação técnica para resgate imediato quando o
animal está solto em área aberta e sem possibilidade segura de contenção, pois a
retirada pode aumentar os riscos tanto para a população quanto para o próprio
primata.
A SMAC informou ainda que o comportamento do animal pode estar relacionado à
oferta de alimento em algum momento, o que faz com que ele se condicione a se
aproximar de pessoas em busca de comida fácil. Até o momento, segundo a
secretaria, não houve chamados registrados em janeiro pelo canal 1746
solicitando a atuação da Patrulha Ambiental no local.
Tanto os bombeiros quanto a SMAC reforçam que moradores não devem tocar,
alimentar, tentar capturar ou se aproximar de animais silvestres, já que esse
tipo de interação pode provocar reações agressivas, acidentes e riscos à saúde.
(veja a íntegra da nota ao fim da reportagem).
Apesar das orientações técnicas, moradores dizem que a rotina continua marcada
pelo medo, sobretudo entre famílias com crianças pequenas. Eles afirmam que não
querem que o animal seja ferido, mas pedem acompanhamento das autoridades para
evitar novos incidentes.
> “Do jeito que está, alguém pode acabar se machucando. A gente quer segurança
> para os moradores e também para o animal”, afirmou Thiago Firmino.
Nota do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro esclarece que atua em
ocorrências envolvendo animais quando há risco imediato à vida das pessoas ou
quando o animal se encontra em situação de perigo, ferido, preso ou em local que
possibilite contenção segura.
No caso relatado na comunidade Santa Marta, trata-se de um primata em vida
livre, circulando em área urbana contígua, inserida na zona de amortecimento do
Parque Nacional da Tijuca, região onde é comum a circulação de animais
silvestres. Nessas situações, não há indicação técnica para resgate, uma vez que
a retirada do animal pode gerar mais riscos à população e ao próprio primata.
O CBMERJ reforça que não é recomendado que moradores tentem tocar, capturar,
alimentar ou se aproximar de animais silvestres, pois esse tipo de interação
pode provocar reações agressivas, acidentes e riscos à saúde.
Quando o animal estiver em local fechado, oferecendo risco iminente ou
possibilitando contenção segura, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros
pelo telefone 193 para avaliação da ocorrência. Em áreas abertas e situações
relacionadas ao manejo ambiental, o atendimento é realizado pelo órgão ambiental
competente do município.
O Corpo de Bombeiros atua de forma integrada com os órgãos ambientais e
permanece à disposição para agir sempre que houver risco à vida, reforçando que
a colaboração da população, evitando alimentar ou interagir com animais
silvestres, é fundamental para prevenir novos incidentes.
Nota da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC)
A Secretaria de Meio Ambiente e Clima, por meio da Patrulha Ambiental, esclarece
que o animal em questão está se aproximando das pessoas porque, em algum
momento, ele teve oferta de alimento e ficou condicionado a chegar perto do ser
humano em busca de comida com fácil acesso.
Informamos também que, até o momento, não houve nenhum chamado, no mês de
janeiro, para 1746 por parte dos moradores solicitando que a Patrulha Ambiental
tome as devidas providências no caso deste animal que está invadindo casas e
quintais na Comunidade Santa Marta, em Botafogo.
A Smac solicita, portanto, que o morador ligue para 1746, canal entre a
Prefeitura do Rio e a população, e forneça a localização do animal para que a
equipe da Patrulha Ambiental seja acionada e tome as medidas necessárias.
Vale ressaltar, que o macaco está solto próximo de seu habitat, pois a
comunidade Santa Marta fica localizada no Morro Dona Marta, em Botafogo, que
está na zona de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca. Lembrando que
macacos se deslocam muito rápido de um lugar para outro.
Lamentamos o ocorrido com os moradores e, por isso, a orientação é NUNCA pegar,
tocar ou dar alimento, bebida e nem jamais capturar animais silvestres.




