Influenciadora condenada a pagar R$ 25 mil por difamar motorista de aplicativo

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Influenciadora terá que pagar R$ 25 mil por difamar motorista de app com base em
‘pressentimento’

Jéssica Dourado publicou nome e foto do motorista do DF.de Justiça entendeu que
narrativa baseada em sensações subjetivas gerou ‘linchamento moral digital’.

Influenciadora narra corrida e sugere que motorista de aplicativo iria “fazer
algo’ [https://s03.video.glbimg.com/x240/14291954.jpg]

Influenciadora narra corrida e sugere que motorista de aplicativo iria “fazer
algo’

Uma influenciadora digital de Brasília
[https://g1.globo.com/df/distrito-federal/cidade/brasilia/] foi condenada pela
Justiça a pagar R$ 25 mil por danos morais a um motorista de aplicativo após
fazer publicações em que sugeria que o condutor representava perigo durante uma
corrida (veja o vídeo acima)

O de [https://de.globo.com/]apurou que que a influenciadora é Jéssica Dourado —
nesta segunda (27), ela reunia 619 mil seguidores no Instagram.

A corrida foi contratada em abril de 2023. No dia seguinte, a influenciadora
publicou uma sequência de stories em que pedia “cuidado” com o motorista,
expondo a foto e até a placa do carro dele.

Segundo o processo:

* Em um dos stories ela “alertou” seguidores com a frase: “Cuidado com esse
UBER! Eu vou contar o que aconteceu para vocês entenderem… muito sério!”.
* Na publicação, ela cita o nome do motorista e exibe a foto dele (veja
abaixo).
* Em seguida, ela publicou vídeos explicando que sentiu “uma coisa muito
estranha” ao entrar no carro.
* Ela também relatou ter tido um pressentimento de que “aquele homem ia fazer
alguma coisa”.
* A influenciadora também sugeriu que o motorista teria usado algum mecanismo
para travar o aplicativo da Uber durante a corrida, e impedir que ela
acessasse as configurações de segurança.
* Em outro vídeo, segundo o processo, ela afirmou: “Ele ia me matar, ele ia
fazer alguma coisa”.

A Justiça entendeu que associar o motorista publicamente a uma possível intenção
criminosa, sem qualquer conduta concreta, “extrapola o campo da liberdade de
crença e expressão, configurando-se abuso do direito de manifestação”.

1 de 1 Influenciadora é condenada a pagar R$ 25 mil por expor motorista de
aplicativo. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Influenciadora é condenada a pagar R$ 25 mil por expor motorista de aplicativo.
— Foto: Reprodução/Redes Sociais

O QUE DIZ A DEFESA?

Em nota ao de, a defesa de Jéssica Dourado afirmou que ela ainda tem prazo para
recorrer da decisão, “razão pela qual o tema ainda não se encontra
definitivamente encerrado”.

“Ressalto, ainda, que na condição de mulher, a Sra Jéssica se enquadra na
posição de vítima, e se sentiu desconfortável durante a situação vivenciada.
Ficou muita nervosa, apreensiva e emocionalmente abalada, o que a influenciou
diretamente a reação naquele momento. Por esse motivo, optou por sair do
veículo, pois a única coisa que não queria era continuar naquela situação”,
escreveu o advogado.

> “O fato de ele não ter se retirado imediatamente do local causou a Sra Jessica
> ainda mais desconforto e gatilhos emocionais, especialmente considerando que
> vivemos em uma sociedade na qual, infelizmente, as mulheres ainda não se
> sentem plenamente seguras em situações como essa”, prosseguiu.

PREJUÍZO À IMAGEM E ABALO EMOCIONAL

De acordo com o processo, o motorista trabalha há mais de três anos na
plataforma, somava na época 17.495 viagens realizadas e 312 avaliações
positivas, sem histórico de condutas inadequadas.

Ele afirmou à Justiça que as publicações causaram “exposição indevida, prejuízo
à sua imagem profissional e abalo emocional”. Também disse temer de represálias
por parte de seguidores da influenciadora.

No processo, a defesa do motorista alegou ainda que Jéssica teria se beneficiado
financeiramente da repercussão dos vídeos, com a divulgação posterior de perfis
ligados a jogos de azar.
[https://de.globo.com/saude/saude-mental/noticia/2024/07/16/ludopatia-entenda-o-que-e-a-doenc.ghtml]

Já a influenciadora argumentou que apenas compartilhou uma experiência pessoal e
um “testemunho de espiritualidade”. Disse também a publicação estava amparada
pela liberdade de expressão e de crença.

‘LINCHAMENTO MORAL DIGITAL’, DIZ SENTENÇA

Ao analisar o caso, o juiz destacou que a narrativa foi construída
exclusivamente com base “percepções subjetivas” e “convicções religiosas”.

> “A imputação de conduta criminosa — como a ideia de que o motorista “ia matar”
> ou “fazer alguma coisa” — sem qualquer lastro factual, expõe o autor ao
> chamado linchamento moral digital, com repercussões negativas à sua dignidade
> e reputação. O tom sugestivo e as referências espirituais reforçaram a imagem
> de que o autor seria uma pessoa perigosa e não confiável”, diz a sentença.

A decisão ressalta que a influenciadora poderia ter relatado a experiência sem
identificar o motorista. “Ao transformar sua experiência espiritual em narrativa
pública com identificação do motorista e imputação implícita de conduta
criminosa, a ré excedeu os limites da liberdade de expressão e crença”, completa
o texto.

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