Sem citar os Estados Unidos, Lula fala em “tentações hegemônicas” da “maior potência militar do mundo”
O presidente defende a integração latino-americana autônoma e critica a fragilidade regional diante do unilateralismo e das disputas externas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em um discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina que a região atravessa um período de enfraquecimento político e institucional, com divisão interna e dificuldade de formular respostas conjuntas aos desafios internacionais. Ele destacou que é fundamental debater temas estratégicos de interesse comum entre os governantes da América Latina.
Durante sua fala, Lula relembrou o Congresso que ocorreu no Panamá há 200 anos, onde jovens nações latino-americanas buscaram consolidar sua independência e definir seu lugar no mundo. Ele mencionou que desse encontro surgiram ideias incorporadas ao direito internacional e à Carta da ONU, como a manutenção da paz e a solução pacífica de controvérsias. No entanto, para o presidente, esse legado histórico não foi suficiente para a construção efetiva de instituições regionais.
O ex-presidente citou o exemplo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como um projeto interrompido pela intolerância política, resultando em uma região fragmentada e excessivamente voltada para fora. Conflitos externos e disputas ideológicas passaram a prevalecer sobre as prioridades locais, aumentando a ameaça do extremismo político e da manipulação da informação na América Latina. Lula criticou o esvaziamento das instâncias multilaterais e o enfraquecimento da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que se encontra paralisada.
Ao abordar o contexto internacional, Lula mencionou a ordem liberal em ruptura, com avanço do protecionismo e do unilateralismo. Ele destacou que os modelos de integração regional precisam se adequar às necessidades locais, citando a União Europeia como referência. O presidente ressaltou a importância de uma inserção internacional autônoma para os países latino-americanos, defendendo a mobilização de ativos políticos e econômicos não explorados.
Lula enfatizou a necessidade de uma integração baseada na diversidade de opções e no pragmatismo, capaz de superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas dentro e fora da região. Ele alertou que a América Latina permanece dividida, ampliando a fragilidade coletiva diante dos desafios contemporâneos. O presidente afirmou que as lideranças regionais precisam ter convicção sobre os benefícios de um projeto mais autônomo de inserção internacional, especialmente diante das “tentações hegemônicas” da maior potência militar do mundo, sem mencionar explicitamente os Estados Unidos.




