Rubio justifica operação contra Maduro no Senado dos EUA

Secretary of State Marco Rubio appears before the Senate Foreign Relations Committee to explain President Donald Trump's policy toward Venezuela following the U.S. military raid that ousted then-President Nicolas Maduro, at the Capitol in Washington, Wednesday, Jan. 28, 2026. (AP Photo/J. Scott Applewhite)

Em audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28), o secretário de Estado Marco Rubio defendeu o sequestro de Nicolás Maduro em Caracas e o ataque conduzido pelos EUA contra a Venezuela no início de janeiro. Segundo Rubio, a operação não configurou um ato de guerra e foi apresentada como uma ‘necessidade estratégica’ para os interesses americanos no hemisfério, mesmo diante de críticas sobre violação do direito internacional.

Ao explicar a ação que resultou no sequestro de Maduro, hoje detido em Nova York sob acusações de tráfico de drogas e conspiração narcoterrorista, Rubio classificou a Venezuela como uma ‘base de operações’ de adversários dos Estados Unidos, citando supostos vínculos com Irã, Rússia e Cuba. Para o chefe da diplomacia americana, a permanência de Maduro no poder representava um risco ‘inaceitável’ para os EUA, a Colômbia e o Caribe, o que teria exigido uma resposta direta de Washington.

Rubio afirmou que a estratégia do governo Donald Trump prevê três objetivos para a Venezuela, culminando em uma transição que resulte em um país ‘amigável, estável, próspero e democrático’. Nesse contexto, justificou a decisão da Casa Branca de manter diálogo com o entorno do antigo regime, incluindo a presidente interina Delcy Rodríguez, em vez de apoiar imediatamente uma tomada de poder pela oposição. Segundo ele, o primeiro passo seria evitar uma guerra civil e estabelecer conversas ‘diretas e honestas’ com quem ainda controla as estruturas do Estado.

Durante a audiência, o senador republicano Rand Paul questionou se a operação americana na Venezuela não configuraria um ato de guerra. Rubio respondeu que a administração não considera sequer próxima da definição constitucional de guerra, alegando que Maduro fraudou eleições e responde a acusações criminais nos Estados Unidos.

Em seguida, Paul trouxe o Brasil ao debate para ilustrar o risco desse tipo de justificativa: citou declarações de Jair Bolsonaro, que afirmava que Lula não venceu legitimamente as eleições, e lembrou que Hillary Clinton, em 2016, também questionou a legitimidade da vitória de Trump. Para o senador, esse tipo de argumento não pode servir de base para intervenções unilaterais, sob pena de gerar instabilidade internacional.

O secretário de Estado rebateu afirmando que, no caso venezuelano, os EUA não removeram um presidente eleito, mas alguém que teria fraudado o processo eleitoral e mantinha o poder com apoio de estruturas armadas. Ainda assim, a comparação com Brasil e Estados Unidos expôs o desconforto de parte do Senado com a lógica apresentada pelo governo Trump.

Rubio também abordou o papel do petróleo venezuelano no plano americano. Segundo ele, Washington autorizou a venda do petróleo sob sanções, desde que os recursos sejam depositados em uma conta supervisionada pelo Tesouro dos EUA e utilizados ‘em benefício do povo venezuelano’. A proposta foi criticada por senadores democratas, que acusaram o governo de concentrar em Washington o controle sobre receitas de um país soberano.

Ao final da audiência, Rubio não descartou o uso futuro da força caso a cooperação do governo interino não avance. ‘Não se enganem: estamos preparados para usar a força para garantir o máximo de cooperação, se outros métodos falharem’, afirmou. O depoimento ocorreu em meio a protestos pontuais no plenário e ampliou a repercussão internacional do ataque e do sequestro de Maduro, além de reacender o debate sobre limites legais e políticos da atuação dos EUA na Venezuela.

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