O cantor Danrlei Orrico, O Kannalha, se emocionou ao falar de um ataque ao um terreiro de Candomblé, localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador. O artista foi convidado ao Bahia Meio Dia, telejornal da TV Bahia, nesta quarta-feira (28) e pediu respeito às religiões de matriz africana. “Meu coração ficou um pouco apertado, até fiquei com vontade de chorar. Já tive perto de pessoas que já sofreram vandalismo religioso e é muito triste poder ver uma coisa dessa”, lamentou, em conversa com o apresentador Vanderson Nascimento.
Adepto de uma religião de matriz africana, o cantor se emocionou ao refletir sobre a forte relação entre essas linhas religiosas e a história da Bahia. “Eu sou de religião de matriz africana. A minha ancestralidade, a nossa Bahia, nosso DNA é ancestral. Então, assim respeito galera. Pelo menos o respeito pela religião do próximo. Já tive perto de pessoas que sofreram isso, que eu amo muito e dói demais”, disse. “Respeita a nossa história, da onde a gente veio. Vá ver a nossa história, da onde a gente vem”, aconselhou.
O Kannalha concorre ao Troféu Bahia Folia 2026 com a música “O Baiano Tem o Molho”, que viralizou nas redes sociais com a atuação de Wagner Moura no filme “O Agente Secreto”, indicado ao Oscar em 4 categorias. O cantor de pagodão participou do telejornal para falar de um show que fará no Nordeste de Amaralina, no dia 11 de fevereiro.
O terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza está localizado no bairro de Cajazeiras XI e tem 33 anos de atuação. De acordo com o babalorixá responsável pela casa, as palavras ‘assassinos’ e ‘Jesus’ foram escritas com tinta vermelha na entrada do local. Até o momento, ninguém foi preso. Em nota, a Polícia Civil informou que as investigações seguem para identificar os autores da intolerância religiosa.
Ainda de acordo com o babalorixá, essa foi a primeira vez que a casa sofreu um ataque do tipo. Segundo ele, o espaço sempre manteve uma relação respeitosa com os moradores da região, além de desenvolver trabalhos sociais voltados para a comunidade. “Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por Justiça”, diz a nota do terreiro.
O Brasil tem enfrentado um aumento nos casos de intolerância religiosa, o que reflete a necessidade de promover o respeito e a tolerância entre diferentes crenças. A atitude do Kannalha em pedir por respeito às religiões de matriz africana é um exemplo de como artistas podem usar sua influência para combater esse tipo de violência e promover a diversidade religiosa. A sociedade como um todo deve se unir para repudiar atos de ódio e preconceito, garantindo que todas as religiões sejam respeitadas em um país que preza pela liberdade de crença.




