Tarcísio deve visitar Bolsonaro na ‘Papudinha’ nesta quinta-feira

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá nesta quinta-feira (29) seu primeiro encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) depois do lançamento da pré-candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em dezembro. Alvo de críticas de bolsonaristas por ter cancelado a visita prevista para a semana passada, Tarcísio deve fazer acenos a Bolsonaro, ao indicar apoio a Flávio e ao dizer que tem atuado junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar a transferência do ex-presidente para a prisão domiciliar. O governador deve ainda descartar sua eventual candidatura à Presidência em outubro e reforçar seu interesse em tentar a reeleição no Estado.

Tarcísio visitará Bolsonaro na “Papudinha”, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. A visita está prevista para ser feita entre 8h e 10h. Ao falar sobre o encontro nesta semana, o governador disse que terá um “papo de amigo” com o ex-presidente, em um gesto de amizade, para reafirmar a lealdade a seu padrinho político.

Flávio Bolsonaro, ao comentar nessa quarta-feira o encontro entre o governador e o ex-presidente, também disse que será um “papo entre amigos”. O tom ameno usado pelo senador indica uma mudança no clima tenso entre Tarcísio e a família Bolsonaro.

Na semana passada, o governador de São Paulo cancelou a visita que faria a Bolsonaro depois que Flávio e Eduardo Bolsonaro sinalizaram que o encontro seria para “enquadrá-lo”. Segundo aliados, Tarcísio demonstrou irritação ao saber que seria pressionado a se engajar na pré-candidatura presidencial de Flávio e a recuar de qualquer pretensão de disputar a Presidência neste ano. Ao desistir do encontro, solicitado pelo ex-presidente ao STF, Tarcísio foi atacado por bolsonaristas, que colocaram em xeque sua lealdade a Bolsonaro e apontaram uma suposta articulação para a eleição presidencial.

Nesta semana, Tarcísio repetiu em diferentes entrevistas que não será candidato à Presidência e afirmou que não mudará de ideia mesmo se Bolsonaro pedir a ele para entrar na disputa presidencial. O governador reiterou que ficará em São Paulo para tentar a reeleição no governo paulista e disse que a pré-candidatura de Flávio “está se consolidando”. Afirmou ainda que no último encontro que teve com Bolsonaro, no ano passado, foi questionado pelo ex-presidente sobre sua pretensão de disputar a Presidência e afastou essa possibilidade.

Na pauta da visita desta quinta-feira, está também a estratégia eleitoral do bolsonarismo para a disputa presidencial, em meio a um cenário de pulverização de pré-candidaturas da direita — o que pode dificultar as alianças em torno de Flávio. Atual secretário estadual de Governo da gestão Tarcísio, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou na terça-feira a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido. Com isso, o PSD passa a ter três pré-candidatos à Presidência. Além de Caiado, os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) pretendem concorrer, mas o candidato será definido por Kassab.

Em evento com investidores na quarta-feira, em São Paulo, os governadores afirmaram que buscarão partidos da centro-direita para fazer uma composição eleitoral e tentaram se mostrar como uma opção eleitoralmente viável, afastada do radicalismo do bolsonarismo e com uma agenda liberal na economia. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também pré-candidato à Presidência, reforçou o coro de que está sendo construída uma alternativa entre os conservadores descolada de Bolsonaro.

Tarcísio era visto por lideranças políticas do Centrão e por investidores como o único candidato da direita que poderia unir os demais postulantes desse campo político para concorrer à Presidência em outubro. O governador, no entanto, condicionou uma eventual candidatura ao apoio da família Bolsonaro — o que não aconteceu. Dirigentes de partidos da centro-direita apostam que Bolsonaro levará até o fim a candidatura de Flávio, mas avaliam que o senador pode ter sua pré-candidatura desidratada com essa pulverização de candidatos da direita.

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