Ex-marido condenado a 25 anos de prisão pela morte de estudante de enfermagem queimada viva no Rio: Justiça é feita

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Ex-marido é condenado a 25 anos de prisão por morte de estudante de enfermagem queimada viva no Rio

O cumprimento da pena será em regime fechado inicialmente. Vagner Dias de Oliveira foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

A estudante Raphaela Salsa Ferreira, de 38 anos; laudo indica que ela foi queimada ainda viva. Ex-marido foi preso. — Foto: Arquivo pessoal

A Justiça do Rio condenou Vagner Dias de Oliveira a 25 anos de prisão em regime fechado pela morte da estudante Raphaela Salsa Ferreira Dias de Oliveira, em um júri popular nesta quarta-feira (29). O homem foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

A mulher tinha 38 anos quando foi encontrada carbonizada depois de sumir na Zona Oeste do Rio em 2023.
O ex-marido foi preso na mesma semana e permaneceu preso durante todo o processo. Agora, ele passa a cumprir a pena a que foi condenado.

O laudo de exame de necropsia apontou que ela foi queimada viva. Segundo o laudo, havia vestígios de fuligem na língua, e há indícios que ela foi queimada viva até asfixiar com a fumaça. Depois disso, o corpo foi carbonizado.
“O perito estima que a morte se deu por intoxicação pela fumaça concomitante à carbonização e asfixia por ação bioquímica e térmica. O evento térmico se deu com a vítima viva”, diz um trecho do relatório.

No julgamento desta quarta, foram ouvidas testemunhas de acusação, entre elas a filha da vítima e frentistas. Segundo a investigação, um dos frentistas recebeu a ligação para separar o combustível usado no crime.

O primeiro a depor foi o homem que emprestou o carro em que Raphaela foi vista pela última vez. Ele relatou que o veículo, movido a GNV, foi abastecido no momento em que o pegou emprestado.

A testemunha também reconheceu o carro em imagens de câmeras de segurança e afirmou que o réu chegou a pedir que ele não utilizasse o veículo após o desaparecimento da vítima.

Além disso, a filha da vítima relatou no júri que o ex-padrasto queria retomar o casamento e que conhecia a rotina da mulher, que sumiu depois de deixar o curso. A jovem reconheceu o réu nas imagens em que ele aparece perto da unidade escolar e depois seguindo o carro de aplicativo em que a mãe havia entrado.

Ela também relatou agressões anteriores, sendo uma em 2014, e um comportamento controlador. A filha ainda ressaltou que o réu ajudou por dois dias na procura pela vítima enquanto o caso ainda era tratado como sumiço. Raphaela sumiu em uma quinta-feira e o corpo dela foi achado no domingo. Nesse tempo, o Vagner ajudou nas buscas.

Uma outra testemunha confirmou que Raphaela tinha medo que o ex soubesse do seu novo relacionamento.

O réu optou por não responder perguntas da juíza, do Ministério Público nem da assistência de acusação, somente da sua própria defesa. No relato, ele nega que tenha assassinado a vítima e que também não pegou o carro emprestado com o frentista pois estava usando o seu próprio. Todos os outros depoimentos apontam que ele disse que o carro estava na oficina. Ele também confirmou que ajudou nas buscas, indo até o Instituto Médico Legal no dia que o corpo foi reconhecido. Antes, ele afirma ter rodado em unidades de pronto atendimento.

Familiares disseram que a estudante Raphaela tinha medo de Vagner, com quem se relacionou por 14 anos e teve dois filhos. Em depoimento à polícia, a filha, a prima e o atual namorado da vítima confirmaram que ela temia as reações do ex-marido por causa de ciúmes.

As investigações apontam que Raphaela foi levada, segundo a polícia, por Vagner quando chegava em casa na Praça Seca. Segundo a família, a vítima havia acabado de sair de uma aula no bairro Pechincha e ia para casa em um carro de aplicativo.

Em resumo, a condenação do ex-marido de Raphaela Salsa Ferreira ressalta a importância do combate à violência doméstica e do trabalho investigativo para a garantia da justiça e da punição de crimes tão graves como o que resultou na morte da estudante de enfermagem. É fundamental que casos como este sejam tratados com a devida seriedade e que sejam tomadas medidas para prevenir a ocorrência de violência contra as mulheres.

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