Especialistas: Irã levaria vantagem em confronto militar com os EUA, segundo ex-generais turcos

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Ex-generais turcos avaliam que Irã tem vantagem contra EUA em possível escalada militar

Demonstração de força de Donald Trump apresenta fragilidades, segundo os especialistas militares turcos

EX-GENERALS TURCOS AVALIAM QUE IRÃ TEM VANTAGEM CONTRA EUA EM POSSÍVEL ESCALADA MILITAR

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA DE DONALD TRUMP APRESENTA FRAGILIDADES, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS MILITARES TURCOS

29 de janeiro de 2026, 17:14 h

Teerã (Foto: Captura de tela/Reprodução) Apoie o 247 Siga-nos no Google News

247 – As ameaças dos Estados Unidos contra o Irã se intensificaram de forma significativa na última semana, elevando as tensões no Oriente Médio. No entanto, especialistas militares da Turquia avaliam que, em um eventual confronto direto, o equilíbrio estratégico tende a favorecer Teerã. A análise foi apresentada por oficiais aposentados das Forças Armadas turcas em entrevistas concedidas à emissora teleSUR, em reportagem do correspondente Yunus Soner, em Istambul.

Segundo os analistas, Washington reforçou sua presença militar na região com o deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln, acompanhado por destróieres. Ainda assim, essa demonstração de força apresenta fragilidades. Para o almirante aposentado Cem Gürdeniz, ex-integrante das Forças Navais da Turquia e especialista em geopolítica, a atual configuração militar dos EUA é limitada.

“A marinha estadunidense se concentra no mar Arábigo. Não têm um grupo de porta-aviões no Mediterrâneo, diferentemente do confronto anterior. Essa presença no Mediterrâneo serviu para combater pelo ar os mísseis com que o Irã atacou Israel”, afirmou Gürdeniz.

O almirante também apontou falhas de planejamento por parte de Washington, relacionadas a tentativas de pressão indireta sobre Teerã. “O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, advertiu que começaram uma operação contra a moeda nacional iraniana para provocar protestos. Quando esses protestos ocorreram, esperava-se uma operação militar, que não aconteceu. Cometeram um erro de planejamento aí”, disse.

Na avaliação do general aposentado Fahri Erenel, professor da Universidade de Istinye, o risco de ataques pontuais contra alvos estratégicos permanece. Ele observou que a Força Aérea dos Estados Unidos deslocou caças adicionais e realizou exercícios aéreos de vários dias em diferentes pontos da região, mas ressaltou que o Irã está preparado para responder.

“Desde a Revolução de 1979, o Irã desenvolveu estruturas paralelas para todas as instituições. Começaram com o Exército, no qual existem as Forças Armadas de um lado e a Guarda Revolucionária de outro, ambas instituições constitucionais”, explicou Erenel.

Para o general, o confronto já se manifesta em outras frentes além do campo militar tradicional. “De certa forma, a guerra já começou. Os Estados Unidos de Elon Musk sofreram uma derrota importante, com o Irã impedindo as atividades do Starlink e mantendo o controle sobre a internet. Penso que o Irã conseguiu isso em cooperação com Rússia e China”, afirmou.

Ao avaliar o cenário de uma escalada mais ampla, Cem Gürdeniz destacou a experiência militar iraniana. “O Irã é um país acostumado à guerra, em combate desde 1980, um país de segurança. Além disso, se ativar seu arsenal subterrâneo e incluir alvos navais em sua ofensiva, seu adversário terá muitas perdas. É preciso lembrar que os Houthis, que nem sequer têm uma força armada, derrubaram dois aviões estadunidenses e forçaram um porta-aviões dos EUA a se retirar”, declarou.

Erenel acrescentou que um dos principais trunfos iranianos seria o uso de mísseis de cruzeiro. “A reação mais importante que o Irã pode dar é usar seus mísseis de cruzeiro, que não utilizou na última guerra de 12 dias. Há relatos de que têm alcance de mil quilômetros. Foram testados no Golfo e voam sem serem detectados por radar. O Irã tem a quantidade necessária, e eles podem representar uma grande ameaça para os porta-aviões”, afirmou.

O contexto regional também impõe limites à atuação de Washington. Diversos países do Golfo anunciaram que não permitirão o uso de seu espaço aéreo ou de bases militares para um ataque contra o Irã. Enquanto seguem os encontros entre delegações dos Estados Unidos e do Irã em Omã, a avaliação de especialistas militares é de que, em uma escalada sem limites, o balanço militar não se mostra favorável aos Estados Unidos.

> Ex-generais turcos advertem que o Irã tem vantagem sobre os Estados Unidos em um confronto militar. Saiba como o Irã pode derrotar os EUA na reportagem da teleSUR. pic.twitter.com/5uprAeRBOO

— Brasil 247 (@brasil247) January 29, 2026

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