PMs condenados por chacina em Cavalcante perdem cargos após determinação judicial

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Justiça determina que PMs condenados por chacina em Cavalcante percam os cargos

Segundo a juíza, os sentenciados “não honraram a instituição a que pertencem. Crime aconteceu em 2022 e deixou quatro vítimas.

A justiça determinou que dois policiais militares condenados após a morte de quatro homens durante uma ação policial em Cavalcante, região nordeste de Goiás, percam os cargos públicos. O pedido foi feito pelo Ministério Público de Goiás, a respeito de Aguimar Prado de Morais e Luís César Mascarenhas Rodrigues.

À DE, a defesa de Aguimar, representada por Mildo Ferreira, informou que entrou com recurso e que a decisão não é definitiva até o desfecho do recurso pendente. A reportagem entrou em contato com a defesa de Luís César e com a Polícia Militar, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

O crime aconteceu em janeiro de 2022 e as vítimas foram executadas com 58 tiros, de acordo com a denúncia. Na decisão, a juíza Isabela Rebouças Maia acolheu os embargos do MP-GO e disse que a conduta dos sentenciados não é compatível com a permanência deles na função pública.

Na condenação, o sargento Aguimar Prado de Morais recebeu a pena de 13 anos e 9 meses de prisão em regime fechado por homicídio qualificado. O soldado Luís César Mascarenhas Rodrigues foi condenado a 6 anos de prisão em regime semiaberto, também por homicídio.

No julgamento, a sentença condenou dois policiais e absolveu cinco. De acordo com o juiz, Aguimar comandou a operação “sem planejamento, com informações distorcidas acerca das vítimas; resultando numa ação criminosa e morte das vítimas”.

A culpabilidade do soldado Luíz César foi considerada média, pois considerou que ele recebeu ordens de um superior. A absolvição dos outros cinco réus foi decidida por júri popular.

O crime aconteceu no dia 20 de janeiro de 2022. A Polícia Militar informou à Polícia Civil que uma equipe foi em uma ocorrência em propriedade rural por denúncia de que ali haveria uma plantação de maconha. As vítimas foram Salviano Souza da Conceição, Ozanir Batista da Silva, Antônio da Cunha Fernandes e Alan Pereira Soares.

Segundo o delegado que investigou o caso, Alex Rodrigues, os policiais disseram que encontraram 500 pés de maconha. Entretanto, parte da droga foi incinerada no local antes da chegada da Polícia Civil. Sete policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público, que afirmou que uma das vítimas foi atingida quando já estava no chão e que os policiais queimaram a vegetação para destruir a evidência de que não havia plantação de maconha do tamanho informado por eles.

Na época, entidades e movimentos sociais repudiaram a ação da Polícia Militar e pediram justiça pela morte das vítimas. “Salviano, Chico Kalunga, Jacaré e Alan eram conhecidos por todos da comunidade e muitos possuem histórias para contar dos momentos vividos juntos. Não eram pessoas violentas, não andavam armados. Eram pacíficos”, relatou o documento.

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