O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será o candidato a presidente do PSD e que isso não trará grandes mudanças no cenário da corrida presidencial em que o petista tentará um novo mandato. O entendimento de aliados do presidente é que Caiado não aceitaria deixar o União Brasil para ingressar no PSD se não tivesse a garantia do presidente do seu novo partido, Gilberto Kassab, de que poderá concorrer ao Palácio do Planalto. A entrada de Caiado na nova sigla foi anunciada na noite da última terça-feira (27). O governador de Goiás já vinha ensaiando deixar o União Brasil devido a resistências do partido a confirmar sua candidatura à Presidência e agora se juntou a um partido que já tem outros dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto: os governadores do Paraná, Ratinho Jr, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Kassab afirmou que o candidato a presidente do partido será anunciado até 15 de outubro. A decisão caberá ao próprio presidente da legenda. Não haverá prévias. De acordo com um aliado, Lula não deu muita importância ao movimento feito pelo presidente do PSD nesta semana de atrair o Caiado para o seu partido. Nas projeções do entorno do presidente, Caiado, caso confirmado como candidato a presidente, não teria força para vencer a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Num eventual segundo turno, o governador de Goiás apoiaria o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro contra o petista. Há setores do PSD que têm ligação com Lula e devem apoiar o petista na eleição presidencial. São os casos dos diretórios do Rio, do Amazonas e de Pernambuco. Em entrevista ao GLOBO, Caiado afirmou já ter conversado com Kassab sobre a situação na Bahia, onde o partido faz parte da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Segundo o governador de Goiás, a tendência é liberar o diretório local para manter a aliança com o grupo petista, enquanto o presidenciável do PSD tende a compor o palanque de ACM Neto (União), adversário do PT no estado. No Rio, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), mantém alinhamento com Lula e deve atuar pela reeleição do petista, o que dificulta a atuação do partido em favor de um nome próprio ao Planalto. No Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) deve ser candidato a governador com o apoio de Lula.




