O Carnaval do Distrito Federal em 2026 se tornou alvo de polêmica devido à exclusão de blocos tradicionais do DF Folia. Blocos históricos como Menino de Ceilândia, Suvaquinho da Asa, Tesourinha e Divinas Tetas foram deixados de fora do evento, gerando críticas à falta de transparência nos critérios do processo seletivo. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF defende um modelo competitivo, baseado em critérios técnicos e pontuação objetiva, enquanto os blocos excluídos questionam a burocracia que afasta a festa das ruas, onde historicamente o Carnaval se constrói.
O coordenador do Bloco Menino de Ceilândia, Ailton Velez, expressou descontentamento com a exclusão do grupo, que ocorreu por uma diferença mínima de pontuação. Segundo ele, a falta de clareza na avaliação técnica e a ausência de explicações detalhadas contribuem para a insatisfação dos blocos que não foram selecionados. Mesmo com recursos apresentados, nenhum resultado foi favorável para os grupos excluídos, levantando dúvidas sobre a imparcialidade do processo.
A exclusão dos blocos tradicionais não impacta apenas a programação do Carnaval, mas também frustra trabalhadores da cultura e o público que aguardava ansiosamente pelos desfiles. Ailton ressalta que a decisão valoriza uma cultura mais globalizada em detrimento das manifestações tradicionais, como o frevo, samba e maracatu, que acabam ficando em segundo plano. O Presidente do Suvaquinho da Asa, Pablo Feitosa, destaca a incredulidade sentida diante da situação, enfatizando a importância de critérios como tempo de existência e matriz carnavalesca.
Apesar da exclusão, alguns blocos decidiram sair de forma independente, mesmo sem apoio financeiro do governo. O Suvaquinho da Asa e o Menino de Ceilândia planejam desfiles com estrutura reduzida, ressaltando a importância de preservar a tradição carnavalesca. Já o Bloco das Divinas Tetas optou por não desfilar em 2026, em um gesto político que questiona a burocratização do Carnaval e a falta de diálogo com os blocos.
Por outro lado, o secretário de Cultura do DF, Claudio Abrantes, defende os critérios objetivos do edital e ressalta a competição saudável entre os blocos. Apesar de reconhecer que blocos consolidados ficaram de fora, ele destaca o crescimento do número de vagas e do incentivo desde 2023. Abrantes encoraja os blocos a saírem mesmo fora da contemplação do edital, movimentando o Carnaval e fomentando a economia criativa. A competição pública, segundo ele, não deve ter reserva de mercado, incentivando a diversidade de expressões culturais durante a festividade.



