A república da África do Sul declarou o encarregado de negócios de Israel em Pretória como persona non grata e estipulou um prazo de 72 horas para que ele saia do país. Essa decisão foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores sul-africano como resultado do agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países.
De acordo com informações oficiais, Ariel Seidemann, o diplomata de mais alto escalão do governo israelense na capital sul-africana, foi notificado na sexta-feira sobre a ordem de retirada. A medida foi motivada por uma série de comportamentos considerados inadequados de acordo com as normas e práticas diplomáticas internacionais.
A decisão foi divulgada inicialmente pela emissora HispanTV, que tem acompanhado de perto os desdobramentos da política externa sul-africana. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores ressaltou que as ações atribuídas ao diplomata representam uma violação direta da soberania nacional.
Entre as violações listadas estão o uso repetido de plataformas oficiais de mídia social israelenses para insultar o presidente Cyril Ramaphosa, bem como a omissão de informar o Ministério das Relações Exteriores sul-africano sobre supostas visitas de altos funcionários sionistas. Essa ordem de expulsão acontece em um momento de grande repercussão da situação em Gaza na sociedade da África do Sul.
O país abriga a maior comunidade judaica da África subsaariana e é conhecido por apoiar a causa palestina internacionalmente. Esse posicionamento tem gerado ações diplomáticas e manifestações populares em diversas regiões do país. Em novembro, o ministro das Relações Exteriores da África do Sul, Ronald Lamola, denunciou um suposto plano de expulsão de palestinos de Gaza, da Cisjordânia e de áreas circundantes.
A ordem de expulsão do diplomata israelense está alinhada com o apoio contínuo de Pretória à causa palestina e sua rejeição às políticas de ocupação sionista. Esse posicionamento tem sido acompanhado por crescentes protestos em solidariedade à Palestina em países africanos e árabes.
As relações entre o governo sul-africano e o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, têm se deteriorado desde o final de 2023, quando a África do Sul apresentou uma queixa contra Israel ao Tribunal Internacional de Justiça, acusando o país de genocídio em Gaza. Pretória tem reiterado que acordos de trégua não alteram o andamento do processo em curso na corte internacional. Este episódio marca mais um capítulo nas dificuldades diplomáticas entre os dois países e reforça a posição da África do Sul em relação à questão palestina.




