Os Estados Unidos e o mundo ficaram menos seguros após a volta de Trump, conforme afirmou o economista Jeffrey Sachs em uma entrevista à CGTN. Nesse sentido, ele alertou para o risco de uma eventual guerra com o Irã e para uma escalada na América Latina. Jeffrey Sachs é diretor do Center for Sustainable Development da Universidade Columbia e expressou preocupação com a ampliação da instabilidade internacional e os efeitos negativos da política externa de Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca.
Durante a conversa, Sachs destacou que as ações recentes de Washington não melhoraram a segurança nacional dos Estados Unidos. Pelo contrário, elas têm contribuído para tornar o país e o mundo como um todo menos seguros. Essa avaliação baseia-se em um diagnóstico claro do impacto do segundo mandato de Trump sobre o cenário global, resultando em um aumento significativo da insegurança.
O economista também mencionou a atualização do “Relógio do Juízo Final”, indicando que o mundo está cada vez mais próximo de uma catástrofe nuclear. Nesse sentido, ele ressaltou a percepção de um ambiente internacional mais instável, marcado por ameaças e ações militares. Segundo Sachs, a política externa dos EUA tem se aproximado de uma estratégia de confronto, o que tem contribuído para a perigosa escalada da instabilidade global.
Uma das críticas centrais de Sachs recai sobre a postura hostil de Trump em relação ao multilateralismo e às regras internacionais. Ele apontou a retirada dos Estados Unidos de diversos organismos vinculados à ONU como parte de uma ofensiva contra a Carta das Nações Unidas. Para o economista, a atitude de Washington de desconsiderar limites legais internacionais coloca em risco não apenas a segurança dos EUA, mas também a estabilidade global como um todo.
Ao abordar a questão do Irã, Jeffrey Sachs alertou para as exigências máximas impostas por Trump, as quais dificultam a possibilidade de um acordo e aumentam o risco de um conflito. Ele enfatizou que a recusa iraniana em aceitar tais condições poderia resultar em uma perigosa escalada regional. Além disso, o economista criticou as medidas de pressão empregadas pelos EUA para enfraquecer a economia iraniana, destacando a ineficácia dessas estratégias coercitivas.
No contexto da América Latina, Sachs analisou a situação da Venezuela, ressaltando que o país tem sido alvo de uma operação prolongada de mudança de regime. Ele levantou questões sobre o interesse dos EUA nas reservas de petróleo venezuelanas e criticou a postura de Washington em relação ao reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino. O economista enfatizou que a Venezuela continua sob pressão de uma operação de desestabilização liderada pelos EUA.
Sachs também abordou a transição histórica em curso rumo a uma realidade multipolar, na qual potências como China, Rússia e Índia desempenham papel fundamental. Nesse sentido, ele destacou a necessidade de os Estados Unidos reconhecerem essa nova configuração global e buscarem uma postura mais cooperativa e diplomática. Por fim, o economista defendeu que a Europa busque uma política externa independente e privilegie o diálogo com outras potências, reduzindo a dependência estratégica em relação aos EUA.




