Estudantes de Campinas iniciam programa cívico-militar sem uniformes

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Sem uniformes e em ‘clima de adaptação’, programa de escolas cívico-militares inicia em 6 colégios da região de Campinas. Segundo a Secretaria de Educação do Estado de SP, a compra dos uniformes ainda não terminou e não há prazo para que os estudantes recebam as roupas. Aulas voltam e alunos de escolas cívico-militares estaduais em Campinas estão sem uniforme.

Os estudantes dos seis colégios na região de Campinas que aderiram ao Programa das Escolas Cívico-Militares, iniciado no primeiro semestre de 2026, retornam às salas de aula nesta segunda-feira (2), ainda sem ter recebido os uniformes. A EPTV, emissora afiliada da TV Globo, acompanhou o primeiro dia na Escola Estadual Professor Messias Gonçalves Teixeira, no Jardim Nova Aparecida. Sem mudanças pedagógicas, o colégio ainda está em “clima de adaptação”.

“Nosso foco segue sendo o mesmo: o aprendizado dos alunos. Mas não é que vamos dar uma aula de civismo, e seguem as aulas de português e matemática. O civismo será visto no comportamento dos alunos, dos professores, na educação, no respeito, na solidariedade. O cívico-militar dá enfoque nestes valores”, diz Maria do Carmo Fernandes, coordenadora pedagógica.

O programa foi instituído pela Lei Complementar nº 1.398/2024, com previsão de gastos de R$ 7,2 milhões para pagamento de policiais militar. Ao todo, 100 escolas estaduais distribuídas por 89 municípios do estado de São Paulo fazem parte do programa. As unidades oferecem vagas tanto para o ensino fundamental quanto para o ensino médio. Na região, há duas unidades em Campinas, uma em Hortolândia, Sumaré, Socorro e Mogi Mirim.

Na manhã desta segunda-feira, alguns alunos estavam com o uniforme que foi providenciado para a reportagem, mas, segundo informações apuradas pela EPTV, nenhum aluno de Campinas recebeu o uniforme em definitivo. Ainda conforme a pasta, a falta dos uniformes não interfere nas atividades do colégio. Não há prazo para que os estudantes recebam as roupas.

Segundo a apuração da EPTV, os alunos ainda não receberam os uniformes, mas os monitores de segurança já estão na unidade para auxiliar na transição. Conforme a Secretaria Estadual de Educação, todas as escolas seguirão as diretrizes do Currículo Paulista e a gestão escolar terá apoio de monitores e monitores-chefes na segurança, na disciplina, no acolhimento e na promoção de valores cívicos.

“A gente está bem curioso. Querendo ou não, são muitas mudanças. Vamos começar a cantar o hino nacional, os cinco hinos, das 7h às 7h15 da manhã. Teve essas mudanças. Inclusive, o uniforme”, diz Gustavo Barbosa, estudante de 14 anos. “As salas foram pintadas. Agora tem a diferença do horário do intervalo, agora o 9º ano vai ficar com o Ensino Médio e os anos até o 8º vão ficar separados. E tem os professores novos,” diz a estudante Maria Eduarda Freitas, de 14 anos.

A equipe pedagógica do colégio Messias Gonçalves Teixeira notou um aumento de 42% no número de matrículas neste ano. Por isso, há uma preocupação em orientar os estudantes e as famílias. “Nós estamos conversando com os alunos sobre as mudanças que virão, e também vamos fazer uma reunião com os pais, principalmente com os pais dos alunos novos. Nós tivemos um aumento de 42% da matrícula, então nós temos muitos alunos novos que não sabem das mudanças,” relata Elaine Procópio Prado, diretora do colégio em Campinas.

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