O início do ano legislativo de 2026 mostra uma Câmara dos Deputados mais alinhada ao Palácio do Planalto. O presidente da Casa, Hugo Motta, já demonstra disposição para apoiar pautas prioritárias do governo federal, estabelecendo uma relação mais harmoniosa entre os poderes. Análise é de Isabel Mega, ao Live CNN. ‘Aos trancos e barrancos, essa relação hoje, em 2026, começa mais alinhada’, apontou Mega. Um exemplo concreto desse alinhamento foi a rápida aprovação, logo no primeiro dia de trabalhos legislativos, de uma medida provisória de forte apelo popular: o programa Gás do Povo, que amplia as possibilidades de distribuição de botijões de gás via ações do governo federal. A iniciativa, que poderá beneficiar cerca de 50 milhões de pessoas, ainda precisa passar pelo Senado, mas sua rápida tramitação na Câmara sinaliza a disposição para cooperação. Interesses compartilhados entre Legislativo e Executivo. O alinhamento não se deve apenas à vontade de agradar o governo, mas também ao interesse dos próprios parlamentares em capitalizar politicamente medidas populares. ‘Não necessariamente porque a Câmara está querendo agradar o Palácio do Planalto, mas porque o próprio Legislativo se vale também dessas medidas populares e elas são importantes depois para capitalizar voto para os parlamentares’, explicou Isabel Mega. No discurso de Hugo Motta, destacaram-se outras pautas que demonstram essa convergência, como o fim da jornada de trabalho 6×1, ‘ainda que há certa dúvida de se será possível aprovar isso neste semestre’, e a PEC da Segurança Pública. Sobre esta última, Motta tem trabalhado para dar celeridade à tramitação, com previsão de votação na comissão especial logo após o Carnaval, seguida de apreciação no plenário. ‘O parlamento está comprando essa pauta [fim da jornada 6×1], porque fica como uma espécie de legado para a gestão Hugo Motta e para os parlamentares capitalizarem isso, porque teria um efeito positivo junto aos trabalhadores’, afirmou a analista. Fatores políticos que influenciam o alinhamento. A análise aponta que, em nível macro, existe também um interesse político de Hugo Motta em ter sua imagem atrelada ao presidente Lula, considerando a situação política na Paraíba e as pretensões eleitorais de seu grupo político. O pai de Hugo Motta, por exemplo, pode ser candidato ao Senado, o que torna estratégica essa aproximação com o governo federal. ‘Tudo isso entra nesse cálculo político que a Câmara está fazendo nesse momento, de alinhamento com o Palácio do Planalto’, refletiu Isabel Mega. Para este ano legislativo, que será mais curto devido ao calendário eleitoral, há expectativa de reuniões entre líderes da base aliada na Câmara e o presidente Lula, possivelmente com a participação de Hugo Motta. Essas articulações visam materializar o alinhamento também em imagens, beneficiando ambos os lados em um ano que exigirá rapidez nas decisões políticas. Apesar do clima de cooperação, os recados sobre a questão das emendas parlamentares foram dados tanto no discurso de Motta quanto no do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, evidenciando que a harmonia entre os poderes continua sendo um tema sensível que demandará atenção especial do governo.




