Embate entre Dorival Caymmi e Zé Ramalho pelo mar é o mote de single de João
Ramalho com Bruno Caliman
Dorival Caymmi (à esquerda) e Zé Ramalho em imagem promocional do single ‘Donos
do mar’, de João Ramalho com Bruno Caliman — Foto: Divulgação
E se o mar fosse um território a ser ocupado por um único navegante da música
brasileira? Quem seria o dono do mar? Dorival Caymmi (1914 – 2008) – compositor de
canções praieiras situadas em universo mítico povoado por pescadores, sereias e
orixás – ou Zé Ramalho, autor de
músicas como “Beira-mar” (1979) e “Eternas ondas” (1980)?
A rigor, se o mar tivesse um único dono na música brasileira, o legítimo
proprietário seria Caymmi, por ter sido pioneiro desbravador do território
marítimo com canções de arquitetura original e refinada. Contudo, nos versos da
canção “Donos do mar”, o reino do mar é dividido de igual para igual entre o
compositor baiano e o cantador paraibano.
“Donos do mar” é composição gravada por João Ramalho, filho de Zé, com Bruno
Caliman, compositor do universo sertanejo que também desenvolve carreira como
cantor. O mote da música é um embate imaginário entre Dorival Caymmi e Zé
Ramalho pelo domínio do mar.
Nos versos de “Donos do mar”, Dorival Caymmi e Zé Ramalho são caracterizados
como “duas vozes de trovão”, “dois navegantes das águas”, “dois peixes do mar
gigante” da música brasileira. Tanto que, no universo poético da canção, o mar
acaba dividido entre os dois artistas.
Do ponto de vista sonoro, no entanto, “Donos do mar” faz valer o DNA musical de
Ramalho com a sonoridade das violas rascantes e dos cantadores nordestinos, mas
também ecoa o suingue do cancioneiro de Lenine.
Feita no estúdio Nave 33, com produção musical de Sebastian Duran, a gravação de
“Donos do mar” chega ao mundo na sexta-feira, 6 de fevereiro.
João Ramalho (à esquerda) canta a música ‘Donos do mar’ com Bruno Caliman —
Foto: Divulgação




