Presidente do Rioprevidência integrava setor de riscos no Banco Master: entenda o caso

presidente-do-rioprevidencia-integrava-setor-de-riscos-no-banco-master3A-entenda-o-caso

Atual presidente do Rioprevidência integrava setor de avaliação de riscos quando foram investidos R$ 850 milhões no Banco Master

Nicholas Cardoso foi nomeado em março de 2025 para o Comitê de Investimentos. Novos aportes no banco foram feitos mesmo depois de alerta do TCE

Rioprevidência: Atual presidente era do comitê de investimento

Documentos internos do Rioprevidência mostram que Nicholas Cardoso, novo presidente interino da instituição, integrava o setor responsável por avaliar riscos e recomendar novos investimentos do órgão fluminense quando foram feitos os aportes no Banco Master.

Essas aplicações foram realizadas mesmo depois de o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) ter alertado o Rioprevidência do risco de alocar mais recursos no banco.

De novembro de 2023 a julho de 2024, o Rioprevidência já tinha investido R$ 970 milhões em Letras Financeiras (títulos de renda fixa) do Banco Master. Em 20 de março de 2025, Nicholas foi nomeado para o Comitê de Investimentos do Rioprevidência.

Segundo o TCE, o colegiado tem atribuição de analisar as condições de mercado, avaliar os riscos e as oportunidades de investimento, e recomendar a aplicação de recursos conforme as diretrizes legais e estratégicas definidas pelo Conselho de Administração.

Em 14 de abril de 2025, o TCE ressaltou que 8% de todos os recursos do fundo estavam aplicados no Master, o que deixava o Rioprevidência “altamente exposto a todos os riscos específicos daquela instituição”.

Por isso, o tribunal de contas alertou “os gestores que participam das decisões de alocação de recursos, especialmente os membros do Comitê de Investimentos, de que eventual decisão administrativa de realizar novas operações similares àquelas objeto desta Representação, antes do pronunciamento definitivo deste Tribunal, implicará na integral assunção do risco de possíveis irregularidades pelo Rioprevidência e por seus agentes, pessoalmente”.

Segundo o TCE, mesmo depois desse alerta, já com Nicholas Cardoso no Comitê de Investimentos, o Rioprevidência fez 15 novos aportes e dois resgates em três fundos de investimentos administrados pelo conglomerado do Master entre maio e julho de 2025.

Nesse período, de acordo com o TCE, o Rioprevidência colocou quase R$ 850 milhões nos fundos de renda fixa Arena e Revolution, e no fundo de ações Texas I – todos geridos direta ou indiretamente pelo Master.

Em 8 de outubro do ano passado, o TCE proibiu o Rioprevidência de fazer novos investimentos no conglomerado do Banco Master.

“Embora esta Corte tenha dado ciência ao Diretor-Presidente do Rioprevidência quanto às graves irregularidades apuradas no processo de alocação de recursos daquela autarquia previdenciária, e a despeito do alerta expresso direcionado aos gestores que participam de tais decisões – em especial aos integrantes do Comitê de Investimentos – por força da decisão plenária de 14/05/2025, a entidade continuou realizando investimentos sem a prudência exigida, o que evidencia uma gestão possivelmente irresponsável dos recursos do RPPS”, diz a decisão da corte de contas.

Em nota, o Rioprevidência declarou que o setor interno responsável por avaliar e analisar riscos é a Diretoria de Investimentos, e não o Comitê de Investimentos, como afirma o Tribunal de Contas do Estado.

Disse ainda que, após a entrada de Nicholas Cardoso no comitê, em março de 2025, o investimento no Fundo Arena foi 100% resgatado, sem prejuízo aos cofres públicos. Em janeiro deste ano, a autarquia diz que solicitou o resgate no Fundo Revolution.

Ainda de acordo com o Rioprevidência, a gestão dos fundos de investimentos citados na reportagem não era feita pelo Banco Master. A afirmação contraria o que sustenta a auditoria do TCE.

Sobre os R$ 970 milhões investidos em Letras Financeiras do Master, o Rioprevidência diz que não foram feitos novos aportes nesses títulos de renda fixa após a determinação do TCE. E que está resguardado por uma decisão judicial que autoriza o Estado a reter valores que seriam repassados ao Master em parcelas de empréstimos consignados.

O Rioprevidência ressaltou que o pagamento de aposentados e pensionistas continua sem riscos de descontinuidade.

Em 14 de abril de 2025, o TCE ressaltou que 8% de todos os recursos do fundo estavam aplicados no Master, o que deixava o Rioprevidência “altamente exposto a todos os riscos específicos daquela instituição”.

Por isso, o tribunal de contas alertou “os gestores que participam das decisões de alocação de recursos, especialmente os membros do Comitê de Investimentos, de que eventual decisão administrativa de realizar novas operações similares àquelas objeto desta Representação, antes do pronunciamento definitivo deste Tribunal, implicará na integral assunção do risco de possíveis irregularidades pelo Rioprevidência e por seus agentes, pessoalmente”.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp