Desafios da saúde pública: Brasil terá mais idosos que crianças em breve

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‘Envelhecer’: os desafios do Brasil em saúde pública às vésperas de população ter mais idosos que crianças

Estudo aponta que público mais velho pode ser maioria no país já em 2031. Série abordou tema com especialistas do assunto e pacientes do SUS.

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Os desafios do Brasil em saúde pública às vésperas de população ter mais idosos

Demora, falta de atendimentos especializados e de profissionais capacitados. Esses são alguns dos problemas mais comuns apontados por especialistas e pacientes quando o assunto é saúde pública voltada aos idosos.

Somado a isso, o desafio de se viver em um país considerado jovem, mas que envelhece rápido demais. Tema esse que, inclusive, inspirou a redação do Enem 2025.

Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) aponta que a população idosa dobrará em apenas 25 anos no Brasil. Até 2031, por exemplo, deve haver mais idosos do que crianças.

O contexto social obriga o país a se preparar para oferecer atendimento de saúde a um número cada vez maior de pessoas com mais de 60 anos. E não apenas um atendimento, mas um atendimento que tenha ao menos o mínimo de qualidade.

Esta reportagem faz parte da série “Envelhecer”, um especial do DE [DE.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/]sobre os desafios associados ao envelhecimento da população no mercado de trabalho, na sexualidade, na saúde pública e no acolhimento institucional.

DESAFIOS

Professora da Divisão de Clínica Médica Geral e Geriatria do Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP), Nereida Kilza da Costa Lima lista cinco dentre os desafios que ela considera como principais para garantir o cuidado com a saúde dos idosos:

Acesso ao sistema de saúde

Lima diz que a primeira questão está relacionada ao acesso desse público às unidades de saúde, ressaltando as dificuldades de locomoção de alguns.

“Começando da questão do acesso, porque existem muitos idosos que estão mais fragilizados, dependentes, que precisam de ajuda para chegar até a unidade de saúde, ou precisam que a unidade de saúde vá até a casa deles. Então esse acho que é o primeiro ponto. Existem estratégias que podem melhorar isso, que já existem, que seria a estratégia de saúde da família, que vai até a residência.”

Vacinação de idosos no Distrito Federal — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Espera por consultas

O segundo ponto abordado pela especialista é sobre o tempo de espera para consultas e exames.

Dados obtidos pelo Jornal Nacional por meio da Lei de Acesso à Informação apontam que vem aumentando o número de brasileiros que aguardam por cirurgias eletivas no SUS, chegando a mais de 1,3 milhão de pacientes em 2024.

“Outra questão, a espera por consultas, que dependendo da localização do país, essa espera é grande, então isso é muito variável, dependendo da região, dependendo da cidade. Mas acaba tendo um tempo que às vezes o idoso não tem”, cita Lima.

Detecção precoce de alterações

O acompanhamento mais propositivo desses idosos também é destacado. Segundo a professora, isso deveria ser aperfeiçoado para se antecipar aos problemas de saúde.

Professora Lima ressalta a importância de detectar precocemente alterações funcionais, cognitivas, de visão, de audição, de nutrição e de humor nos idosos.

Capacitação de profissionais

Para que os atendimentos ocorram de forma mais célere e com melhor qualidade, Lima reforça a necessidade de haver mais profissionais capacitados.

“Uma necessidade grande no país é realmente ter mais profissionais capacitados para o atendimento do idoso, que é a gerontologia em geral, e também os médicos que são geriatras. Então, tem essa falta de profissionais.”

Reabilitação dos pacientes

Por fim, a especialista pontua a importância da sequência no acompanhamento dos idosos, com a implantação de mais centros de reabilitação.

Adriana Serafim Bispo e Silva, enfermeira e chefe do setor de Ações Programáticas em Atenção Primária de Ribeirão Preto, citou os motivos pelos quais o público mais idoso busca atendimentos médicos. De acordo com ela, os casos mais comuns são de perda auditiva, doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e depressão.

CONTEXTO SOCIAL NA SAÚDE

Fatores como o tipo de trabalho que o idoso tinha anteriormente, a rede de apoio que ele tem, a renda, o gênero e onde ele vive são apontados por Adriana como determinantes para definir a qualidade de saúde desses pacientes.

Além disso, a qualidade de vida dos idosos pode ser influenciada por fatores como alimentação, nutrição, sono, atividade física, relações interpessoais e trabalho de qualidade.

O engenheiro eletrônico Helvio Matzner, de 70 anos, destacou a importância de atendimentos de saúde voltados especialmente para os idosos. Ele também ressaltou a relevância do esporte na saúde dos mais velhos e a necessidade de práticas esportivas personalizadas.

O contexto social influencia diretamente na saúde dos idosos, que enfrentam desafios como a queda de qualidade de vida devido a múltiplas doenças crônicas e a falta de acesso adequado aos serviços de saúde.

Envelhecer é um processo natural, mas que demanda cuidados e atenção. Com o Brasil se aproximando de ter mais idosos do que crianças, é fundamental que medidas sejam tomadas para garantir um atendimento de qualidade a essa parcela crescente da população.

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