O interior de São Paulo se tornou uma das principais portas de entrada para o contrabando de medicamentos emagrecedores vindos do Paraguai. Somente nos primeiros 20 dias de janeiro de 2026, a Polícia Militar Rodoviária apreendeu 5.527 unidades de medicamentos ilegais em rodovias da região de Itapetininga (SP).
Segundo a Polícia Rodoviária, os medicamentos saem do Paraguai, cruzam o estado do Paraná e entram em São Paulo por rodovias movimentadas como a Castello Branco (SP-280) e a Raposo Tavares (SP-270). A proximidade da região com a divisa paranaense e o aumento exponencial na procura por esses medicamentos impulsionam o esquema.
Segundo o Tenente Alexandre Góes de Oliveira, do 5º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, o aumento nas apreensões é um reflexo do reforço do trabalho de fiscalização.
“A nossa região faz divisa com o estado do Paraná que é uma das principais rotas dos veículos que transportam os medicamentos de forma ilegal. As fiscalização foi intensificada. Eles fazem diversos tipos de ocultação dentro de malas, mochilas e até pacote de bolacha”.
De acordo com o tenente, as apreensões se concentraram em três grandes ocorrências neste início de ano. No dia 09 de janeiro, 4.774 frascos de medicamentos diversos foram apreendidos na SP-270, em Sarapuí (SP). No dia 15 de janeiro, 587 unidades de tirzepatida foram interceptadas na SP-280, em Porangaba (SP). Já em 20 de janeiro, mais 166 unidades de tirzepatida foram encontradas durante uma fiscalização na SP-280, em Tatuí (SP).
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a venda e o uso de canetas emagrecedoras falsas representam um sério risco à saúde e é considerado um crime hediondo no país.
O interior de São Paulo concentrou cerca de 70% das apreensões de drogas no estado em 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) divulgados nesta sexta-feira (30).
De acordo com a pasta, foram retiradas de circulação 206 toneladas de entorpecentes no estado. Desse total, 143,4 toneladas foram apreendidas no interior, um aumento de 2,6% em relação a 2024, quando o volume chegou a 139,7 toneladas.
Segundo a SSP, a circulação de drogas por cidades do interior do estado ficou conhecida pela forças policiais como “rota caipira do tráfico de drogas”. A rota é para fazer o entorpecente cruzar fronteiras entre os estados de forma mais rápida e, em algumas situações, até chegar à capital, de onde a droga é levada ao Porto de Santos.
O entorpecente é embarcado em navios e transportado até países da África, Ásia e Europa, onde o quilo da cocaína pode valer até US$ 80 mil. O aumento nas apreensões e a atuação intensiva das autoridades revelam a gravidade desse cenário que impacta diretamente na segurança e saúde pública.




