Família desaparecida no RS: ex-marido da filha e outras 5 pessoas prestam
depoimento à polícia
Mulher postou sobre um falso acidente de trânsito em rede social. Pais foram
procurá-la e, desde o dia 25 de janeiro, nenhum dos três foi visto. Polícia
descarta sequestro e apura se houve homicídio.
Polícia analisa projétil de arma de fogo encontrado no pátio da casa de família
desapareci.
O desaparecimento de três pessoas da mesma família há mais de uma semana em
Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, é investigado
pela Polícia Civil como um crime.
Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e
Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro.
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O caso começou após uma publicação de Silvana em uma rede social, na qual afirmava ter sofrido um acidente de trânsito. A polícia, no entanto, já confirmou que o acidente não ocorreu. A principal linha de investigação aponta para um crime, como homicídio ou cárcere privado.
A polícia colhe depoimentos em busca de esclarecimentos. Na terça-feira (3), seis pessoas foram ouvidas, incluindo o ex-marido de Silvana, a atual companheira dele, familiares e vizinhos. Mais pessoas serão ouvidas nos próximos dias.
1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Gravataí.
VIZINHA DIZ QUE NÃO NOTOU NADA ATÍPICO
Vizinha de Isail e Dalmira, Gislaine Aparecida Silva Rodrigues de Anchieta
afirma que conversava com o casal todas as manhãs.
> “Está sendo bem difícil, porque a gente fica naquela expectativa de que o
> carro vai parar e eles vão descer.”
A mulher conta que mora no local há 17 anos e que os donos do mercado estavam no
endereço há 32 anos. “Eles eram pessoas muito boas e trabalhadoras”, destaca.
Segundo Gislaine, ela viu o casal pela última vez no dia 22 de janeiro, uma
quinta, pois viajou na sexta-feira, dia 23 de janeiro. “Estava tudo normal. A
gente conversou bastante.”
Polícia investiga desaparecimento de três pessoas da mesma família no RS.
Confira o que se sabe e o que falta saber sobre o caso:
– Quem são os desaparecidos?
– Como o desaparecimento aconteceu?
– Qual a principal linha de investigação da polícia?
– Quais pistas da polícia?
– O que dizem os envolvidos e a vizinhança?
– Quais os próximos passos da investigação?
QUEM SÃO OS DESAPARECIDOS?
Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são donos de um pequeno
mercado que funciona junto à residência da família, no bairro Anair. Descritos
como queridos e tranquilos, eles são conhecidos na vizinhança. “São uns vizinhos
extremamente conhecidos por todos nós. Me criei aqui. Eu não tenho nada de mal
para falar deles”, destaca uma vizinha.
Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, é filha única do casal e mora nas
proximidades. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e tem um filho de 9
anos, fruto de um relacionamento anterior. O menino estava com o pai no fim de
semana do desaparecimento.
COMO O DESAPARECIMENTO ACONTECEU?
No sábado, 24 de janeiro, Silvana publicou em uma rede social que havia sofrido
um acidente de trânsito enquanto retornava de Gramado, na Serra. Em seguida,
postou que ficaria sem sinal e, no dia seguinte, agradeceu por orações. Desde
então, seu celular está desligado e ela não fez mais contato.
Alertados por vizinhos sobre a postagem, Isail e Dalmira teriam saído para
procurar a filha no domingo (25). Segundo o delegado Anderson Spier, titular da
1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, o casal chegou a ir à delegacia
distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada. Depois disso,
eles também não foram mais vistos.
QUAL A PRINCIPAL LINHA DE INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA?
A Polícia Civil trata o caso como um crime e descarta a hipótese de sequestro,
pois não houve nenhum pedido de resgate após mais de uma semana. As principais
suspeitas são de homicídio ou cárcere privado.
“Por esse tempo todo que passou, provavelmente ela [Silvana] tenha sofrido ou
esteja sofrendo algum crime que não permita manter contato com a família”,
afirma o delegado Anderson Spier. A investigação aponta que o comportamento da
família foi incomum, já que costumavam avisar sobre viagens.
QUAIS AS PISTAS DA POLÍCIA?
A polícia confirmou que o acidente de trânsito relatado por Silvana não
aconteceu. “O que a gente já sabe com precisão é que ela não esteve em Gramado”,
disse o delegado Spier, após consultar concessionárias e delegacias locais.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no
interior da residência, o que reforça a tese de que ela não viajou.
Imagens de uma câmera de segurança
registraram uma movimentação atípica na noite de 24 de janeiro. Um carro
vermelho entrou na residência às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o
veículo de Silvana entrou na garagem. Mais tarde, às 23h30, outro carro chegou,
permaneceu por 12 minutos e foi embora. A polícia investiga se era Silvana quem
dirigia seu próprio carro e busca identificar os outros veículos.
Durante as diligências, a polícia encontrou um projétil de arma de fogo
no pátio da casa de Isail e Dalmira. O objeto foi recolhido e será enviado para
perícia.
O QUE DIZEM OS ENVOLVIDOS E A VIZINHANÇA?
Vizinhos relatam o bom relacionamento com a família e o choque com o
desaparecimento. “Todo mundo gostava deles, muito, muito. Ele dava atenção, o
senhor Aguiar dava atenção para as crianças”, disse a comerciante Janete
Camargo. Outra moradora, Ana Melo, lembrou da generosidade do casal: “Na hora
que eu mais precisei […] eles me envolveram”.
O delegado Anderson Spier reforçou que a investigação se concentra em desvendar
um crime. “Já solicitamos a perícia, estamos aguardando o agendamento para fazer
a perícia nos locais para procurar maiores elementos de vestígios, de sangue e
outros materiais que porventura possam nos levar a alguma definição sobre o
crime”, afirmou.
QUAIS OS PRÓXIMOS PASSOS DA INVESTIGAÇÃO?
Para saber o paradeiro da família e a autoria e motivação do possível crime, a
polícia aguarda a realização da perícia na casa de Silvana e no mercado dos pais
em busca de vestígios, como sangue.
Os investigadores também analisam outras imagens de câmeras de segurança para
identificar os veículos e as pessoas envolvidas na movimentação da noite do dia
24. Seis pessoas já foram ouvidas e a polícia continua a colher depoimentos de
familiares e vizinhos para obter mais informações que ajudem a solucionar o
caso.




