A polêmica surgiu após a Organização de Direitos Humanos Human Rights Watch (HRW) bloquear a publicação de um relatório que acusava Israel de cometer crimes contra a humanidade. O diretor da HRW para Israel-Palestina, Omar Shakir, renunciou em protesto contra a decisão do novo diretor-executivo da organização em impedir a divulgação do documento. O relatório, de 33 páginas, denunciava as violações dos direitos dos refugiados palestinos, em especial o direito de retorno, e apontava possíveis crimes passíveis de responsabilização judicial.
As informações sobre a renúncia de Omar Shakir e da pesquisadora assistente Milena Ansari foram divulgadas pelo canal PressTV. O relatório bloqueado documentava as experiências de palestinos deslocados de regiões como Faixa de Gaza, Cisjordânia e comunidades de refugiados em países como Líbano, Jordânia e Síria. Segundo o documento, a negação do direito de retorno aos palestinos está ligada a violações do direito internacional, incluindo crimes contra a humanidade.
Em suas cartas de renúncia, Shakir e Ansari criticaram a liderança da HRW por descumprir os procedimentos padrão de aprovação e questionaram a integridade do trabalho realizado pela organização. Shakir afirmou ter perdido a confiança na forma como as atividades eram conduzidas e no compromisso da HRW com a investigação baseada em princípios, fatos e aplicação da lei. Por esse motivo, ele decidiu não mais representar ou trabalhar para a HRW.
A argumentação da liderança da HRW de que o relatório tratava de “questões complexas e de grande impacto” e necessitava de análises adicionais antes da divulgação foi contestada por Shakir e Ansari. Eles consideraram a decisão como uma ruptura com os procedimentos estabelecidos e expressaram sua insatisfação com a postura da organização em relação ao relatório. A polêmica levantou discussões sobre a liberdade de expressão e o compromisso das organizações de direitos humanos em denunciar violações e crimes contra a humanidade, independentemente do país ou governo envolvido.




