Brasil: Mais de 300 condenados por feminicídio estão foragidos

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Quem são os 336 procurados por feminicídio com mandados de prisão pendentes no Brasil

Levantamento do DE exclusivo do DE identificou ordens de prisão não cumpridos em todo o país, incluindo casos de condenação em definitivo. Assassinatos de mulheres bateram recorde em 2025.

Brasil tem mais de 300 condenados ou suspeitos de feminicídio procurados pela Justiça

Um levantamento exclusivo do DE identificou 336 homens condenados ou suspeitos de feminicídio que ainda são procurados pela Justiça em todo o país (veja os nomes mais abaixo). Eles têm mandados de prisão em aberto e, portanto, deveriam estar presos, mas continuam em liberdade.

A maioria das ordens é de prisão preventiva, quando a autoria já foi identificada e o suspeito deve ser preso durante o andamento do processo. Também há mandados de recaptura, ordens após condenação definitiva, e prisões decretadas depois da sentença em primeira instância.

Os mandados estão distribuídos por 25 estados. São Paulo, Bahia, Maranhão e Pará concentram a maior quantidade de procurados.

Entre os nomes mapeados estão condenados que romperam a tornozeleira eletrônica e desapareceram, investigados que fugiram ainda durante o processo e réus que nunca chegaram a ser presos mesmo após condenação (leia as histórias mais abaixo).

Em um dos casos, um condenado por tentar matar a companheira obteve progressão para o regime semiaberto após cumprir parte da pena e ser diagnosticado com câncer de próstata. Ele era obrigado a informar periodicamente à Justiça onde morava e trabalhava, mas deixou de cumprir essa exigência em 2018. Mesmo assim, depois desse período, chegou a comparecer a uma audiência judicial para solicitar aposentadoria rural, o que indica que permaneceu em atividade regular sem ser localizado. O novo mandado de prisão e a regressão para o regime fechado foram determinados em 2024, após o trânsito em julgado do processo.

Para especialistas ouvidos pelo DE, o principal gargalo nesses casos não é a identificação dos autores, mas o cumprimento das ordens de prisão.

“Em número absoluto, pode parecer pouco para o Brasil inteiro [serem 336 procurados]. Mas, para nós que defendemos as mulheres, é muito. É sempre muito. Cada mandado desses representa uma mulher assassinada, uma família destruída”, afirma a delegada Eugênia Villa, criadora da primeira delegacia especializada em feminicídios do país.

O levantamento foi realizado com dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça, e reúne casos registrados ao longo de mais de duas décadas, entre o fim dos anos 1990 e 2023. Há mandados por feminicídio consumado e por tentativa.

CONDENADO A MAIS DE 40 ANOS FUGIU APÓS MATAR EX-COMPANHEIRA

Cláudio Jerre Alexandre Dias, considerado foragido da Justiça após ser condenado pelo assassinato da ex-companheira — Foto: Reprodução

Em Gurupi, no Tocantins, Cláudio Jerre Alexandre Dias foi condenado pelo assassinato da ex-companheira, morta após ser agredida com golpes na cabeça. O crime ocorreu em 2022 e foi presenciado por testemunhas e familiares. Em novembro de 2023, ele foi condenado a 42 anos de prisão. O réu fugiu após o crime e não foi localizado para início do cumprimento da pena.

CONDENADO POR ATACAR EX COM FACAS PROGREDIU DE REGIME E DESAPARECEU

Rodrigo Junio da Costa foi condenado por invadir a casa da ex-companheira e atacá-la com duas facas. Durante a pandemia, obteve prisão domiciliar e, depois, progressão de regime para o semiaberto e fugiu. Ele segue procurado desde agosto de 2024.

RÉU CONDENADO POR ATAQUE BRUTAL À COMPANHEIRA NUNCA FOI PRESO

Joilson Nascimento dos Santos foi condenado por atacar a esposa com golpes de faca e pauladas em uma área rural no Maranhão. Ele fugiu durante o processo e não foi localizado desde então. O mandado de prisão permanece em aberto.

CONDENADO ROMPE TORNOZELEIRA DIAS APÓS IR PARA O SEMIABERTO

Marcondes Figueiredo de Oliveira procurado por matar uma mulher a pauladas em 15 de outubro de 2001, em Manaus (AM) — Foto: Reprodução/Autos do processo

Em Manaus, Marcondes Figueiredo de Oliveira foi condenado pelo assassinato de uma mulher em 2001. Em abril de 2020, obteve progressão para o regime semiaberto. Seis dias após a mudança de regime, rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu. No mesmo período, chegou a receber auxílio emergencial. A regressão ao regime fechado foi determinada e um novo mandado de prisão expedido. Ele segue foragido.

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