Nicole Silveira e esposa belga formam Time BB em busca de medalha nos Jogos de Inverno 2026

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Esperança de medalha do Brasil, Nicole Silveira forma equipe com esposa belga: “Um time mais forte”

Parceria dentro e fora das pistas fortalece busca por medalha nos Jogos de Inverno 2026

Nicole Silveira é uma das apostas brasileiras para as Olimpíadas de Inverno [https://s01.video.glbimg.com/x240/14314276.jpg]. “Trabalhe com quem você ama”. A frase atribuída ao filósofo Confúcio (com uma pequena adaptação) resume a estratégia de Nicole Silveira, dona do melhor resultado do Brasil em esportes de gelo e uma das grandes esperanças de medalha nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, que começam oficialmente nesta sexta. Radicada no Canadá desde a infância, Nicole chega à sua segunda Olimpíada mais confiante do que nunca. Ao lado da esposa, a belga Kim Meylemans, ela criou o Time BB de skeleton: Brasil e Bélgica.

Desde a criação da equipe, o progresso das duas pode ser medido de maneira objetiva: Nicole fechou a última temporada como 4ª colocada no Mundial de skeleton, enquanto Kim é a líder da atual temporada. O projeto nasceu em 2023, quando o casal percebeu que treinar separadamente já não fazia sentido. “Eu estava com um treinador, ela com outro, e às vezes havia segredos que a gente não podia contar uma à outra… mas acabava contando. Então resolvemos unir forças, juntar os recursos do Brasil e da Bélgica e criar um time mais forte – contou Nicole.

Somando recursos da Bélgica e Brasil, as atletas conseguiram investir em uma equipe completa, lâminas mais modernas e mais viagens para treinamento: “É como se fosse dois por um”. Além do vínculo afetivo, a parceria trouxe ganhos técnicos. Kim, por exemplo, está na liderança do ranking nesta temporada. “A Kim tem 16 anos de experiência; eu tenho metade disso. Ela traz ideias mais tradicionais, enquanto eu gosto de testar coisas novas. Quando uma desce antes, já conversa com a outra sobre o que pode melhorar – explicou a brasileira.

O vínculo que hoje move o Time BB rumo ao pódio começou de forma despretensiosa. Nicole e Kim se conheceram em 2018, durante uma etapa da Copa do Mundo em Calgary – cidade em que a brasileira vive desde os sete anos. “Uma amiga em comum nos apresentou. Eu era voluntária, estava aprendendo sobre o esporte, e ela já competia entre as melhores – lembrou Nicole. Foi só alguns anos depois, na temporada 2020/2021 (marcada pelas restrições da pandemia) que o destino tratou de aproximá-las novamente. Com mudanças inesperadas de hospedagem durante uma competição na Letônia, Nicole acabou ficando no mesmo hotel que Kim.

Em meio ao isolamento e às longas conversas entre treinos, as duas descobriram uma afinidade surpreendente. O namoro nasceu ali, em segredo, durante a temporada. “A gente só podia treinar e ficar no quarto. Conversamos muito e foi aí que começamos a gostar uma da outra. O início foi marcado por dúvidas e descobertas pessoais. Kim foi a primeira namorada de Nicole, que ainda estava tentando entender quem era e o que realmente queria. Após o fim da temporada, as duas passaram o verão separadas, até que Kim viajou ao Canadá para visitá-la e o reencontro confirmou o sentimento.

Antes mesmo de começar a competição, Nicole comemora um passo importante rumo à inclusão. A atleta e a esposa foram convidadas para serem embaixadoras da Pride House Milão, um espaço oficial de acolhimento à comunidade LGBTQIA+ durante os Jogos. “Eu acho que é muito importante ter a Pride House em Milão. Estamos tendo mais visibilidade, mais apoio, mas há lugares (países) em que a gente está voltando no tempo – disse Nicole. A “Casa do Orgulho”, tradução em português, é uma iniciativa da Prefeitura de Milão com apoio do Comitê Olímpico Internacional (COI) e foi criada para combater a discriminação, promover a diversidade e criar um ambiente seguro para atletas, voluntários e visitantes, com programação cultural, esportiva e educacional.

O pedido de casamento das duas parece mais um roteiro de comédia romântica. No Natal de 2023, Nicole planejou uma surpresa durante um passeio de barco no Rio de Janeiro, com fotógrafo e amigos a bordo. Ela organizou o pedido perfeito sem imaginar que Kim também havia comprado um anel. “Quando eu pedi, a primeira resposta dela foi “não”. Aí ela disse: “Eu também tenho!” e saiu correndo para pegar o anel dela – recordou Nicole. Por coincidência, as duas haviam escolhido anéis idênticos, na mesma loja. Meses depois, o casal oficializou a união no civil, em Calgary. “Queríamos fazer uma festa, mas com as Olimpíadas se aproximando, decidimos deixar pra depois e focar nos Jogos – contou Nicole. A cerimônia íntima, em agosto de 2025, reuniu apenas os pais e irmãos das duas. Um momento simbólico para marcar a união de dois países, dentro e fora do gelo.

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