Líbano denuncia Israel por pulverização de substâncias químicas na ONU: altos níveis de glifosato no território. Crime ambiental e riscos à saúde e à agricultura.

libano-denuncia-israel-por-pulverizacao-de-substancias-quimicas-na-onu3A-altos-niveis-de-glifosato-no-territorio.-crime-ambiental-e-riscos-a-saude-e-a-agricultura

O Líbano levará à ONU denúncia contra Israel por pulverização de substâncias químicas em seu território. Beirute acusa violação da soberania e crime ambiental após análises indicarem altos níveis de glifosato em áreas fronteiriças. O governo do Líbano anunciou que apresentará uma queixa formal à Organização das Nações Unidas (ONU) contra Israel, acusado de pulverizar substâncias químicas sobre vilarejos localizados no sul do território libanês no dia 1º de fevereiro. De acordo com os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente do Líbano, amostras de solo e de água coletadas pelo Exército libanês em áreas atingidas foram analisadas em laboratórios especializados e revelaram níveis elevados de glifosato. As informações são da RFI.

O herbicida é associado a danos severos à flora e à fauna e é classificado como potencialmente cancerígeno. As pastas informaram, em nota conjunta, que algumas amostras apresentaram concentração do pesticida entre 20 e 30 vezes acima dos limites normalmente aceitos por normas internacionais. Segundo o comunicado, a substância pode “danificar a cobertura vegetal nas áreas atingidas, com repercussões diretas sobre a produção agrícola, a fertilidade do solo e o equilíbrio ecológico”.

No mesmo documento, os ministérios classificam a ação como um “ecocídio” e alertam para “os potenciais riscos sanitários e ambientais capazes de afetar a água, o solo e a cadeia alimentar” do país. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o episódio representa “uma violação flagrante da soberania libanesa e um crime ambiental e sanitário” e declarou que se trata de uma “continuação dos repetidos ataques israelenses contra o Líbano e seu povo”.

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) informou que o Exército israelense pulverizou “uma substância química não tóxica” nas proximidades da fronteira e recomendou que os “capacetes azuis” da ONU se afastassem da área. A Finul declarou que ação levanta preocupações quanto aos efeitos desse produto químico desconhecido sobre as terras agrícolas locais e seu impacto no retorno de longo prazo dos civis e em seus meios de subsistência.

Lideranças israelenses têm declarado o objetivo de estabelecer uma zona tampão ao longo da fronteira. Dentro dessa estratégia agressiva, o exército israelense utilizou armas como bombas de fragmentação e fósforo branco nessas regiões. Especialistas apontam que o uso de herbicidas busca enfraquecer de forma duradoura o vínculo entre os moradores e suas terras, resultando em perdas bilionárias no setor agrícola libanês, de acordo com um relatório recente da FAO em parceria com o Ministério da Agricultura do Líbano. A reconstrução do setor agrícola exigirá investimentos estimados em US$ 263 milhões até 2026.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp