Moradores da Vila Chico Amaral, em Campinas (SP), criaram um sistema próprio de monitoramento para tentar driblar um problema que se repete há anos: um trem de carga que pode ficar parado por horas na passagem de nível do bairro, provocando transtornos diários para motoristas, pedestres e usuários do transporte público.
A via bloqueada é uma alternativa para motoristas que tentam fugir do trânsito da Rodovia Campinas–Monte Mor. Quando a passagem está fechada, a opção é um desvio de quase quatro quilômetros por estradas em más condições.
De acordo com o técnico de telecomunicações Jonatan Silva, na última segunda-feira (2), o trem permaneceu no local das 6h às 17h30. Quem não conhece o bairro, muitas vezes, acaba esperando a liberação da linha férrea.
É todo dia. Desde de manhã ele fica aí. De manhã, de tarde, mais de duas horas. À noite, fica até umas 11 horas quase parado”, relata a pintora Juliana Costa.
Para evitar a perda de tempo, moradores instalaram uma câmera em uma casa da região que transmite imagens da linha férrea ao vivo pela internet. O sistema permite verificar se há trem parado antes de seguir pelo trajeto.
O bloqueio também afeta o transporte coletivo. Quando a passagem está fechada, a linha de ônibus 254 precisa desviar. Em alguns casos, passageiros descem antes do bloqueio, atravessam a linha férrea a pé e tentam pegar outro ônibus do outro lado.
A Emdec afirmou que está ciente do transtorno causado para os ônibus e disse que o desvio da linha 254 é feito periodicamente a cada 10 ou 15 dias, durante as horas em que os vagões ficam parados no local. De acordo com a empresa, a situação também já foi reportada à concessionária Rumo, que administra o trem.
A passagem também é usada diariamente por estudantes da Escola Municipal João Alves dos Santos, que fica próxima ao local.
Segundo moradores, quando o trem bloqueia a via, alguns alunos se arriscam passando entre os vagões ou precisam fazer um caminho muito mais longo para chegar em casa.
O problema já havia sido mostrado em 2023. Em imagens registradas na época, moradores aparecem atravessando por baixo dos vagões.
“A vida de todo mundo que fica travada. O ônibus para, volta, o bairro fica isolado por causa do trem”, reclama o técnico de manutenção Vilson Pontes, morador do bairro há quase 30 anos.




