Pancada na cabeça, piora progressiva e adolescente indiciado: o que se sabe sobre as agressões ao cão Orelha
Inquérito, concluído nesta semana, apontou um adolescente como responsável pelas agressões ao cachorro comunitário. Polícia Civil pediu internação provisória dele e o representou por maus-tratos.
Polícia explica pontos que ajudaram a apontar suspeito das agressões ao cão Orelha [https://s02.video.glbimg.com/x240/14314333.jpg]
A investigação sobre a morte do cão Orelha na Praia Brava, área turística e nobre de Florianópolis, foi marcada por muitas lacunas. O inquérito, concluído nesta semana, apontou um adolescente como responsável pelas agressões ao cachorro comunitário. A Polícia Civil pediu a internação provisória dele e o representou por maus-tratos.
Além dele, três adultos ligados aos adolescentes foram indiciados por suspeita de coação a uma testemunha durante a investigação.
Inicialmente, a polícia afirmou que Orelha passou por eutanásia após as agressões. Depois, essa hipótese foi descartada. O laudo da Polícia Científica mostra que o cão levou um golpe forte na cabeça e morreu por causa do agravamento dessa lesão.
Segundo a Polícia Civil, os laudos da Polícia Científica, órgão pericial do estado, constataram que o cão sofreu uma pancada forte na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.
No dia seguinte, Orelha foi resgatado por populares e morreu em uma clínica veterinária devido ao agravamento da lesão. A investigação reiterou que não há imagens do momento da violência.
Segundo o delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei, “é possível que apenas uma pessoa tenha causado os ferimentos”.
“O relatório de atendimento veterinário e o laudo pericial apontam que o cão Orelha tinha um inchaço na região da cabeça causado por um instrumento contundente – ou seja, pode ser um pedaço de madeira ou uma garrafa, dentre outros. É importante dizer que não houve, de nenhuma forma, empalamento do animal ou que ele tenha sido agredido até morrer”, complementou.
Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal (DPA), a investigação não identificou vídeo ou testemunha do momento exato da agressão.
“Com o cruzamento das informações obtidas mediante uma análise das câmeras de monitoramento — tanto com relação ao deslocamento do cão Orelha, quanto da posição dos adolescentes suspeitos —, bem como contradições importantes na oitiva desse adolescente a respeito do seu local naquele dia e da roupa utilizada na data do fato, nós conseguimos, então, apontar essa autoria”, informou.
Segundo a Polícia Civil, o adolescente foi representado pelo Ministério Público por ato infracional equivalente a maus-tratos. A investigação pediu a internação provisória do jovem apontado como autor do ato infracional.
Segundo Balbino, o ECA estabelece que, para haver internação provisória de um adolescente na apuração de um ato infracional, é necessário preencher alguns requisitos, como reiteração, descumprimento injustificado de outras medidas, bem como o ato infracional praticado com violência e grave ameaça.
“Nesse caso, sugerimos que esse adolescente investigado no caso Orelha também foi apontado como autor de outros atos infracionais, sejam eles de furto, dano, injúria e ameaça. Somando isso, a repercussão social do caso e a necessidade de garantir inclusive a segurança do próprio adolescente, foi isso que nos motivou a representar pela internação provisória”, informou.
Não. Segundo a Polícia Civil, a menina que aparece em um vídeo andando com o adolescente suspeito de agredir o cão Orelha não presenciou o ataque que levou o cachorro comunitário à morte.
As imagens mostram o adolescente saindo do condomínio onde estava hospedado na Praia Brava às 5h25 de 4 de janeiro e voltando às 5h58, acompanhado de uma amiga, segundo a polícia. As agressões teriam ocorrido nesse intervalo de tempo, por volta de 5h30.
O delegado Renan Balbino explicou que a participação dos outros três adolescentes inicialmente investigados no caso do cão Orelha foi descartada. Segundo ele, a polícia chegou à conclusão de que as agressões ocorreram na madrugada de 4 de janeiro, em um intervalo de cerca de 35 minutos.
A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de coagir pelo menos uma testemunha na investigação sobre a morte de Orelha. Eles são pais e um tio dos adolescentes. Dois deles são empresários e o outro advogado.
Segundo o delegado Renan Balbino, o adolescente apontado como autor da agressão “se contradisse em diversos momentos e omitiu fatos importantes para a investigação”.
Conforme Balbino, “o adolescente apontado como autor no caso do cão Orelha não tem relação com os outros adolescentes investigados no caso do cão Caramelo”, reiterou Balbino.
À NSC TV, o advogado Alexandre Kale, representante legal do adolescente, declarou que há “fragilidade dos indícios”. Ele disse que não existem imagens do momento da agressão nem testemunhas que tenham presenciado o crime.




