Polícia Civil não registrou investigação que rastreou carro da prefeitura do Recife: Secretário de João Campos monitorado sem documentos oficiais.

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Polícia Civil diz não ter registro oficial da investigação que rastreou carro da prefeitura do Recife e monitorou secretário de João Campos

Segundo o chefe da polícia, não há relatórios, boletim de ocorrência ou ofícios de comunicação judicial da investigação realizada entre agosto e outubro de 2025. O documento foi enviado à defesa do investigado.

Não há registro da investigação de conduta do secretário de João Campos, conforme informou a Polícia Civil. A falta de registros da abertura e encerramento da investigação do secretário do Recife foi destacada em documento assinado pelo delegado-geral, Felipe Monteiro Costa. Não há relatórios, boletim de ocorrência ou ofícios de comunicação judicial das diligências que tiveram como alvo o chefe de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, assessor da prefeitura.

A investigação, que aconteceu entre agosto e outubro de 2025, segundo o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, foi instaurada após uma denúncia anônima de recebimento de propina. O caso incluiu a instalação de um rastreador no carro da prefeitura utilizado pelos irmãos. Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal agora é responsável pela investigação.

O ofício assinado pelo chefe da Polícia Civil foi enviado à defesa dos funcionários da prefeitura, respondendo às solicitações feitas pelo escritório Lacerda e Trindade Advogados Associados. Entre as informações destacadas no documento estão a ausência de registro de boletim de ocorrência relacionado aos fatos citados, a falta de ato de designação específico dos policiais e delegados que atuaram nas investigações, e a inexistência de instauração de Verificação Preliminar de Informação (VPI) ou geração de processos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) para a missão.

O prefeito do Recife, João Campos, reagiu ao ofício enviado pela Polícia Civil nas redes sociais e Instagram. Ele afirmou que a própria Polícia Civil admitiu a clandestinidade de uma operação ilegal com fortes indícios de uso político. O g1 procurou a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco para questionar se o governo do estado irá se pronunciar sobre o documento, mas não obteve resposta até o momento.

A defesa dos investigados, representada pelo advogado Eduardo Trindade, destacou que a ausência de formalização da investigação é a prova de que ela foi conduzida à margem do sistema oficial da polícia. A defesa ressaltou que a falta de registro torna impossível a verificação da legalidade dos atos. O próximo passo será aguardar o resultado das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal investigue o monitoramento supostamente ilegal do secretário Gustavo Queiroz Monteiro pela Polícia Civil. Além disso, o ministro proferiu uma sentença que determinou o trancamento de outro caso de investigação de três secretárias da gestão municipal, conduzida pelo Gaeco. As secretárias afirmaram que estavam sendo alvo das investigações do órgão.

Em resumo, a falta de registros oficiais da investigação realizada pela Polícia Civil gera questionamentos sobre a legalidade e transparência do processo. A determinação do STF para que a Polícia Federal assuma a investigação demonstra a gravidade do caso. A repercussão nas redes sociais e a postura da defesa dos investigados também são pontos destacados nesse cenário. A atuação dos órgãos de segurança e a resposta das autoridades competentes serão determinantes para esclarecer os fatos e garantir a devida apuração.

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