Wagner Moura critica Bolsonaro em podcast internacional e revela boicote a “Marighella”

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Wagner Moura causou polêmica ao criticar duramente o presidente Jair Bolsonaro em uma entrevista no exterior. O ator e diretor falou sobre os impactos que sofreu durante o governo brasileiro, referindo-se a ele como um “governo fascista” e destacando a censura que enfrentou após dirigir o filme “Marighella”. Essa produção, que retrata a vida de Carlos Marighella, líder da resistência armada contra a ditadura militar, foi alvo de boicote e só foi lançada no Brasil após dois anos do lançamento original.

Durante uma entrevista para o podcast norte-americano Happy Sad Confused, Wagner Moura afirmou que Bolsonaro levou a produção para o lado pessoal, evidenciando sua simpatia pela ditadura militar. O ex-presidente chegou a dedicar seu voto no impeachment de Dilma Rousseff ao coronel Carlos Brilhante Ustra, conhecido por comandar sessões de tortura durante o regime militar. O ator não poupou críticas, chamando Bolsonaro de “fã da ditadura”.

O caminho para a estreia do filme no Brasil foi marcado por obstáculos burocráticos e travas institucionais colocadas pelo governo. Wagner Moura relatou que, mesmo não sendo uma censura explícita, o presidente encontrou maneiras de boicotar a exibição do filme, bloqueando todos os caminhos possíveis. O longa foi filmado em 2017 e 2018, teve sua estreia em 2019 no Festival de Berlim e só chegou às telas brasileiras em 2021.

Após o lançamento, tanto o filme quanto a equipe envolvida passaram a ser alvos de ataques por parte dos apoiadores de Bolsonaro. O clima nas estreias tornou-se hostil, com ameaças de morte sendo recebidas, o que exigiu a implantação de medidas de segurança, como detectores de metal nas portas. Wagner Moura comentou sobre a postura dos seguidores do ex-presidente, que se sentem encorajados a agir de forma violenta.

Para o ator, governos autoritários enxergam a produção artística como uma ameaça maior do que simples declarações nas redes sociais. Ele destacou a importância de abordar temas sensíveis e polêmicos através da arte, ressaltando que filmes como “Marighella” têm um impacto maior do que críticas verbais. A entrevista aconteceu em um momento em que Wagner Moura retorna à temporada de premiações com o filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e indicado em quatro categorias no Oscar, incluindo Melhor Ator para o próprio Wagner Moura.

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