Caso Orelha: vídeo que mostra adolescente voltando ao condomínio no dia das agressões é ‘meramente ilustrativo’, diz polícia
A corporação explicou que isso não altera as conclusões do inquérito. Advogados negam participação de adolescente nas agressões.
Polícia explica pontos que ajudaram a apontar suspeito das agressões ao cão Orelha [https://s02.video.glbimg.com/x240/14314333.jpg]
A Polícia Civil de Santa Catarina informou nesta sexta-feira (6) que o vídeo que mostra o adolescente apontado como responsável pelas agressões ao cão Orelha saindo do condomínio onde estava hospedado na Praia Brava, em Florianópolis, teve caráter “meramente ilustrativo” e não altera as conclusões do inquérito.
Segundo a corporação, o frame foi produzido em parceria com a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) para exemplificar uma das várias imagens captadas pelas câmeras de monitoramento do condomínio na madrugada do dia 4 de janeiro.
De acordo com a investigação, o adolescente entrou e saiu diversas vezes da área da piscina em direção à praia ao longo da madrugada. A polícia informou que ele saiu às 5h25 acompanhado de outros rapazes e retornou às 5h58 com uma amiga. As agressões teriam ocorrido nesse intervalo de tempo, por volta de 5h30.
Depois, às 6h35, saiu novamente com a jovem e voltou às 6h37. É justamente esse último deslocamento que aparece no frame divulgado.
“A Polícia Civil de Santa Catarina segue conduzindo sua investigação com rigor técnico, aguardando ainda a conclusão da extração dos dados dos celulares apreendidos de adolescentes, cujas análises poderão corroborar os elementos probatórios já obtidos e até mesmo trazer eventuais novas informações.”
O inquérito foi concluído na terça-feira (3) com o indiciamento do adolescente por ato infracional equivalente a maus-tratos, e a polícia pediu a internação provisória do jovem, que foi representado por maus-tratos.
A ainda nesta sexta, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que vai solicitar, nos próximos dias, novas diligências e esclarecimentos à Polícia Civil sobre os inquéritos que investigam os atos análogos a maus-tratos no caso dos cães Orelha e Caramelo e os crimes de coação e ameaça ligados aos episódios na Praia Brava, em Florianópolis.
Na quarta-feira (4), a defesa do adolescente apontado como responsável pelas agressões ao cão comunitário Orelha divulgou um vídeo que, segundo os advogados, mostra o animal caminhando pela vizinhança por volta das 7h do dia 4 de janeiro. Esse horário seria posterior ao período indicado pela Polícia Civil como o provável momento da agressão, estimado em 5h30.
Os advogados negam que o adolescente tenha participado das agressões e afirmam que o vídeo contradiz a linha do tempo apresentada pela polícia. Alexandre Kale, representante legal do adolescente, declarou à NSC TV que o vídeo evidencia a “fragilidade dos indícios”.
A delegada explicou que testemunhas viram o animal ferido no dia 4, e que pessoas responsáveis pelo resgate relataram, no dia 5, que o estado de saúde dele havia piorado. Ainda de acordo com ela, depoimentos e laudos mostram que a lesão evoluiu ao longo de dois dias.
O cachorro foi encontrado ferido na praia no dia 5 de janeiro e morreu após ser levado ao veterinário. Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, contou que o animal tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.
“A Polícia Civil de Santa Catarina vem, por meio desta nota, esclarecer informações relativas aos fatos ocorridos na madrugada do dia 4 de janeiro, quando teriam ocorrido agressões contra o cão Orelha. Conforme apurado no curso da investigação, os adolescentes envolvidos entraram e saíram diversas vezes da área da piscina para a praia ao longo da madrugada. Às 5h25, o adolescente apontado como autor do ato infracional saiu da piscina em direção à praia acompanhado de outros rapazes. Posteriormente, às 5h58, ele retornou à piscina, dessa vez acompanhado por uma amiga. Às 6h35, ambos saíram novamente para a praia e, às 6h37, retornaram à área da piscina.
A Polícia Civil esclarece ainda que a imagem divulgada no vídeo produzido pela Secretaria de Estado da Comunicação (SECOM), em parceria com a Polícia Civil de Santa Catarina, que mostra o adolescente saindo para a praia acompanhado da jovem, corresponde ao horário das 6h35. Ressalta-se que a referida imagem foi utilizada no vídeo com caráter meramente ilustrativo, para exemplificar uma das diversas imagens captadas pelas câmeras de monitoramento naquele dia.
A Polícia Civil de Santa Catarina segue conduzindo sua investigação com rigor técnico, aguardando ainda a conclusão da extração dos dados dos celulares apreendidos de adolescentes, cujas análises poderão corroborar os elementos probatórios já obtidos e até mesmo trazer eventuais novas informações.”




