Balara já soma 7 milhões de streams em mais de 160 países e reforça propósito de transformar vidas
Cantor e compositor aposta em projeto acústico para se aproximar do público,
ampliar o impacto de suas mensagens e manter vivo o elo musical que herdou do
pai.
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O cantor e compositor Luccas Trevisani, o Balara, é um músico de 42 anos de
Pirassununga (SP), mas que mora em Santos desde os 10 anos de idade. Ele já
produziu seu próprio CD, mas foi com o streaming que conseguiu levar sua música
a ouvintes em 164 países. Desde 2018, suas canções foram escutadas
aproximadamente 7 milhões de vezes, sendo que duas delas chegaram até o programa
Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga.
Apesar dos números expressivos, Balara reconhece que o streaming trouxe um
desafio: muitas vezes a voz é conhecida, mas o rosto do artista não. Por isso,
ele tem buscado se mostrar mais, especialmente com o novo projeto acústico. “Eu
precisei simplificar para amplificar”, disse o músico.
Ele que acredita que aparecer seja fundamental para que sua música seja cada vez
mais tocada e, principalmente, para que possa ajudar mais pessoas.
> “O meu propósito é inspirar e transformar as pessoas por dentro. Como fui
> transformado por muitas músicas, livros e textos de inúmeras pessoas, acredito
> que a arte, a música e o cinema têm esse poder”.
Durante o bate-papo com o jornalista Matheus Müller, Balara contou que começou a
tocar ainda adolescente, quando descobriu um violão guardado pelo pai, usado em
serenatas. A partir daí, aprendeu de forma autodidata, chegou a prensar CDs na
Zona Franca de Manaus e, em 2018, lançou o projeto Balara como banda.
Dois anos depois, seguiu sozinho, mantendo o nome artístico ao qual deu um
significado especial: “Balara é um acrônimo… bem viver, amor, liberdade, afeto,
realização e ascensão”, explicou o cantor. Ele ressaltou que essas palavras
representam aquilo que busca para sua vida pessoal e também o que deseja
transmitir por meio da arte.
Seu estilo segue uma linha influenciada pelo MPB, folk, rock nacional e pela
força das letras. Balara citou entre as referências a banda Legião Urbana e
lembrou de um episódio marcante: certa vez encontrou Herbert Vianna, do
Paralamas do Sucesso, e mostrou uma de suas composições.
Balara, cantor e compositor — Foto: Reprodução
Ao ouvir, Herbert comentou que a escrita lembrava Renato Russo, comparando a
profundidade e a construção da letra ao líder da Legião Urbana. “Foi algo que
mexeu bastante comigo. Serviu como uma validação a mais, um impulso para você
dizer: ‘Meu, não desiste, cara’.
Para ele, a composição é o coração da obra, e o projeto acústico reforça isso.
“Simplificar para amplificar foi o caminho que encontrei para que a mensagem
chegue mais forte.”
PAI, MÚSICA E AMOR
Um dos momentos mais emocionantes do programa foi quando Balara relembrou a
relação com o pai.
A música entrou em sua vida ao ver o violão usado pelo pai em serenatas feitas
para a mãe. Anos mais tarde, durante uma viagem ao Pantanal, o pai passou mal e
precisou antecipar o retorno. Após exames, veio o diagnóstico: leucemia.
Internado, os médicos chegaram a dar apenas dois dias de vida.
Diante da gravidade, a família conseguiu transferi-lo para outro hospital.
Graças ao trabalho dos profissionais e à fé que os sustentou, o pai de Balara
sobreviveu por mais quatro anos. Nesse período, pôde ouvir a canção ‘Mais Além’
que o filho escreveu em sua homenagem, tornando a música um elo de esperança e
amor entre eles.
A letra fala sobre fé e coragem diante da dor:
> “Nesses dias é para gente ter fé, não é para gente entender.”
O cantor contou que o pai pôde ouvir a música e se emocionou. “Agradeço a Deus
pelo tempo extra que tivemos juntos”, disse Balara, lembrando que entregou ao
pai um CD com a canção registrada. “Ele escutou no carro e, depois, me mandou
uma mensagem, que devo ter até hoje, dizendo que, enfim, tinha se emocionado.”
PROPÓSITO
Balara, cantor e compositor — Foto: Reprodução
Durante a pandemia, o propósito da música de Balara ganhou ainda mais força. O
cantor recebeu mensagens de pessoas que, em momentos de desespero, chegaram a
escrever cartas de despedida, mas desistiram após ouvir suas canções. Outros
relatos emocionaram o artista ao mostrar que suas letras, carregadas de
esperança, ajudaram pessoas a encontrar forças para sair da cama e enfrentar a
depressão.
Ele acredita que a arte tem o poder de transformar vidas, como já aconteceu com
a dele ao ouvir músicas e textos de outros artistas.
Balara também reforça que prosperidade material é consequência, mas que vê nisso
uma oportunidade de ajudar quem está perto. Para ele, o propósito é inspirar,
transformar e apoiar. “Meu pai dizia: ajudar o próximo que está próximo. É isso
que eu busco com a música”.
ARTE E EMPREENDEDORISMO
Além de músico, Balara precisou se tornar empresário para dar sustentação ao
propósito que move sua carreira, ele montou sua própria gravadora e editora,
aprendendo na prática a lidar com contratos, impostos e planilhas.
Essa postura empreendedora foi fundamental para que pudesse manter a
independência artística e garantir que suas músicas chegassem ao público
Hoje, Balara se dedica integralmente à música. Ele afirma que aprendeu a
equilibrar carreira e saúde, cuidando do corpo e da mente para continuar
produzindo e inspirando.




