Gustavo Heide não conquistou um break point sequer, mas não precisou. O número 2 do Brasil, atual #253 do ranking, foi brilhante nos momentos mais importantes, venceu dois tie-breaks e derrubou o número 1 do Canadá, Gabriel Diallo (#39 do mundo). Assim, deixou o time do capitão Jaime Oncins em ótima posição para sair de Vancouver com uma vitória nesta fase de Qualifiers da Copa Davis. O primeiro dia do confronto termina empatado em 1 a 1, mas o Brasil tem o favoritismo nas duplas com Orlando Luz e Rafael Matos e, depois, precisará apenas de mais um triunfo para derrotar o time da casa. A sexta-feira começou com vitória do canadense Liam Draxl (#146) sobre o número 1 do Brasil, João Lucas Reis (#207), por 6/3 e 6/3, mas Heide igualou o placar do confronto ao fazer 7/6(4), 3/6 e 7/6(3).
O sábado começa com as duplas. Matos e Luz estão escalados contra Draxl e Cleeve Harper. Em seguida, Diallo encara Reis. Caso seja necessário, o quinto jogo será entre Heide e Draxl (os capitães podem mudar as escalações antes das respectivas partidas). A CazéTV transmite ao vivo. No primeiro jogo, não é que João Lucas tenha feito uma péssima apresentação. O brasileiro até teve suas chances no saque de Draxl no set inicial. Teve um break point no primeiro game, 0/30 no quinto e 15/30 no sétimo. Perdeu pontos importantes ao cometer erros, mas também viu o tenista da casa sacar bem em algumas oportunidades. O brasileiro, contudo, não sacou tão bem. Encaixou 59% de primeiros serviços e só ganhou 69% desses pontos. E pior: venceu só 30% quando precisou do segundo saque. A história meio que se repetiu no segundo set, com Draxl vencendo a maioria dos pontos grandes.
O segundo jogo viu um Heide cirúrgico. Fez pouco com as devoluções, mas foi extremamente eficiente com seu saque no primeiro e no terceiro sets. Teve o serviço ameaçado em um par de vezes em ambas parciais, mas sempre se safou. Diallo contribuiu. Jogou mal quando Heide sacou em 0/30 no sexto game da parcial decisiva. Depois, deu um par de pontos de graça quando o brasileiro precisou sacar em 30/30 e, depois em “iguais”. Quando chegou o tie-break, a vantagem moral de Heide era óbvia. Não só porque o paulista venceu o primeiro game de desempate, mas porque Diallo tinha nos ombros as chances perdidas. Uma dupla falta no primeiro ponto deixou isso óbvio. O canadense também fez uma subida à rede com um slice flutuando (e levou uma linda passada de Heide), deu uma madeirada de direita para ficar 1/3 abaixo e mandou um forehand na rede logo depois.
Coisas que eu acho que acho: – O Brasil joga sem João Fonseca, que tirou a Davis de seu calendário por causa da sequência puxada de torneios – ele disputa o ATP 250 de Buenos Aires, onde defende o título, a partir de segunda-feira, e de lá parte para o Rio Open. O atual número 2 do Brasil, Thiago Wild, não foi convocado. O Canadá, por sua vez, atua sem Félix Auger-Aliassime e Denis Shapovalov. – Nada é simples numa Copa Davis, sobretudo fora de casa, mas o cenário de momento não poderia ser muito mais animador. Luz e Matos vêm jogando bem e entram em quadra como favoritos. Se a vitória brasileira nas duplas se confirmar, Diallo, que perdeu os últimos quatro jogos que disputou, entrará em quadra pressionado contra Reis. E, mesmo que o tenista da casa vença, Heide terá a chance de selar o confronto.




