Acordo Comercial entre EUA e Índia: Tarifas Reduzidas e Energia Realocada. Afastamento da Rússia e Fortalecimento das Relações Econômicas em Pauta.

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Estados Unidos e Índia anunciaram um acordo comercial provisório que reduz tarifas e reorienta a energia, afastando-se da Rússia. Essa parceria, divulgada recentemente, estabelece uma tarifa americana de 18% sobre a maioria dos produtos indianos, com a perspectiva de um pacto mais abrangente até março. O objetivo é fortalecer as relações econômicas entre os dois países e reposicionar as cadeias globais de suprimentos diante do cenário geopolítico internacional em constante disputa.

O acordo interino funciona como um guia, consolidando compromissos já firmados e adicionando aspectos técnicos, como listas de produtos, parâmetros tarifários e prazos de negociação. Segundo informações da Reuters, autoridades dos EUA e da Índia esperam assinar um acordo formal dentro dos próximos meses, o que possibilitaria a aplicação de cortes nas tarifas indianas sobre exportações americanas. A iniciativa visa aprofundar o comércio bilateral e diminuir barreiras em áreas como agricultura, dispositivos médicos e equipamentos de comunicação.

Uma das mudanças significativas anunciadas é a nova tarifa de 18% aplicada pelos EUA sobre a maioria das importações indianas. Anteriormente, essa taxa chegava a 50%, mas foi reduzida como parte do acordo, que também envolve compromissos relacionados à energia e ao comércio. A Índia, por sua vez, terá benefícios tarifários semelhantes aos de outros países aliados, além de um regime de cota para importação de autopeças com tarifas reduzidas, conforme noticiado pela Reuters.

Além das questões tarifárias, a parceria também aborda o setor energético, com destaque para a mudança nas compras indianas de petróleo. A Índia concordou em adquirir petróleo de países como EUA e Venezuela, em substituição às importações anteriores da Rússia. Esse reposicionamento reflete a dimensão política do acordo, que vai além do comércio e envolve alinhamentos estratégicos em meio a tensões geopolíticas globais, como a guerra na Ucrânia.

Outro ponto relevante é o compromisso da Índia em comprar US$ 500 bilhões em produtos dos EUA nos próximos cinco anos, incluindo petróleo, gás, aeronaves, tecnologia e outros itens. Esse aspecto demonstra a abrangência do acordo, que também envolve a cooperação em áreas tecnológicas, como unidades de processamento gráfico, necessárias para aplicações de inteligência artificial e infraestrutura digital. Contudo, a magnitude das compras pode gerar dependência comercial e pressões políticas.

A resistência da Índia em relação à abertura no setor agrícola e a proteção de “produtos sensíveis” são destaque na negociação. O acordo prevê a eliminação de tarifas indianas para diversos produtos agrícolas dos EUA, mas a manutenção de salvaguardas para itens considerados estratégicos para o país. Essa abordagem visa equilibrar demandas externas e interesses internos, especialmente em um setor crucial para a economia indiana e com grande peso político.

As negociações incluem ainda a discussão sobre barreiras não tarifárias, como padrões de segurança e licenciamento para produtos agrícolas, dispositivos médicos e equipamentos de comunicação. A cooperação na fiscalização de exportações de tecnologias sensíveis também é um ponto de destaque, com o objetivo de evitar práticas desleais de terceiros, conforme mencionado pela Reuters. Essas medidas visam estabelecer regras claras no comércio e combater práticas desleais, especialmente vindas da China.

Diante das expectativas para a assinatura de um acordo amplo até março, a urgência estratégica entre EUA e Índia é evidente, motivada por questões geopolíticas e interesses econômicos comuns. No entanto, a busca por um equilíbrio que não aprofunde desigualdades e que possa resistir a pressões internas será fundamental nas próximas etapas da negociação. A diversidade de temas em pauta, como agricultura, saúde e tecnologia, promete gerar debates acalorados e intensificar as disputas em torno dos termos do acordo.

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