Do curtume ao Carnaval: tradicional bloco ‘Nem Sangue Nem Areia’ completa 80 anos em Campinas
Realizado sempre no domingo anterior ao Carnaval, o cortejo segue na Vila Industrial, com concentração na Rua Francisco Teodoro, e atrai foliões de toda a cidade.
1 de 4 Do curtume ao Carnaval: tradicional bloco ‘Nem Sangue Nem Areia’ completa 80 anos em Campinas — Foto: Arquivo do bloco Nem Sangue Nem Areia
Do curtume ao Carnaval: tradicional bloco ‘Nem Sangue Nem Areia’ completa 80 anos em Campinas — Foto: Arquivo do bloco Nem Sangue Nem Areia
O tradicional bloco Nem Sangue Nem Areia, símbolo da Vila Industrial em Campinas (SP), celebra 80 anos no desfile de pré-Carnaval neste domingo (8).
Nascido em 1946, o bloco surgiu da criatividade de quatro amigos que transformaram em sátira e alegria o cotidiano do primeiro bairro operário da cidade, marcado por curtumes, matadouros e boiadas que passavam pelas ruas. Confira a história do bloco abaixo.
Mantendo a tradição após a retomada do cortejo em 2009, o bloco se mantém na Vila Industrial e se apresenta no domingo anterior ao Carnaval.
> “O que temos em comum ainda hoje é a ousadia, a irreverência, a valorização da cultura e da Vila Industrial e o respeito às tradição”, afirma o diretor do bloco, Roberto Cardinalli.
ORIGEM E HISTÓRIA
2 de 4 Do curtume ao Carnaval: tradicional bloco ‘Nem Sangue Nem Areia’ completa 80 anos em Campinas — Foto: Arquivo do bloco Nem Sangue Nem Areia
Do curtume ao Carnaval: tradicional bloco ‘Nem Sangue Nem Areia’ completa 80 anos em Campinas — Foto: Arquivo do bloco Nem Sangue Nem Areia
Sob a inspiração do filme “Nem Sangue Nem Areia”, protagonizado pelo comediante mexicano Cantinflas como um alucinado por touradas, os amigos Bochão (Osvaldo Butcher), Tulé (Antônio Rua), Mané (Manoel dos Santos) e Zucão (Sinézio Jorge) decidiram criar o bloco de Carnaval da Vila Industrial.
A escolha foi moldada pelo cenário vivido pelo bairro na década de 1940: na época, a Vila Industrial abrigava curtumes — o que rendeu o apelido de “bucheiros” para os moradores — e convivia com o trânsito de bois pela região.
Esse cenário ajudou a moldar a estética do bloco, com bonecos de boi, referências a touradas e encenação de toureiro, elementos que viraram marca registrada do bloco.
Na primeira fase, o bloco foi idealizado e tocado pelos próprios moradores. A fama cresceu rápido e virou tradição de família, com vizinhos levando cadeiras para as calçadas para garantir lugar e ver o desfile passar.
3 de 4 Fotos da primeira fase do bloco Nem Sangue Nem areia com fundadores em 1946 — Foto: Sinezio/Acervo pessoal
Fotos da primeira fase do bloco Nem Sangue Nem areia com fundadores em 1946 — Foto: Sinezio/Acervo pessoal
O fundador Mané ficou conhecido como o “figurão” do bloco — ele atuava como um animador, em tom de palhaço, que era “chifrado” pelos bois nas encenações da “tourada” carnavalesca, cena que divertia o bairro.
O bloco chegou a se tornar escola de samba na década de 1970, e o último desfile da fase antiga ocorreu em 1975. A folia foi retomada em 2009 e segue ativa desde então.
E COMO É HOJE?
4 de 4 Foliões no Bloco ‘Nem Sangue Nem Areia’, na Vila Industrial — Foto: Jonatan Morel / EPTV
Foliões no Bloco ‘Nem Sangue Nem Areia’, na Vila Industrial — Foto: Jonatan Morel / EPTV
A cada ano o bloco escolhe um tema e o samba-enredo é definido pela diretoria e por jurados. No percurso pelas ruas da Vila Industrial, a bateria e o carro de som cantam apenas o samba-enredo próprio.
Realizado sempre no domingo anterior ao Carnaval, o cortejo segue na Vila Industrial, com concentração na Rua Francisco Teodoro, e atrai foliões de toda a cidade.
> “Ao mesmo tempo que recuperamos as trilhas do passado, temos um olhar para o futuro para deixar um legado para o Carnaval de Campinas”, diz Cardinalli.
Para 2026, a sinopse do samba-enredo resume o espírito da celebração: “Nem Sangue Nem Areia: 80 anos de alegria e coisa séria!” O texto relembra o nascimento do bloco, o orgulho operário do bairro e a fase vivida após o ressurgimento em 2009.
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