Galípolo destaca que não é ilegal pagar acima do CDI ao detalhar a liquidação do Banco Master

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O presidente do BC detalhou bastidores da liquidação do Banco Master e afirmou que o caso não representava risco sistêmico, apesar da comoção pública. Também disse que a autarquia calibra os juros com cautela, diante da atividade resiliente e de expectativas de inflação acima da meta. Segundo ele, não há regra que proíba bancos de captar recursos pagando taxas mais elevadas, como fazia o Master. ‘Tinha gente que cobrava que liquidasse o banco porque existiam CDBs sendo emitidos a uma taxa superior ao CDI. Não se trata disso’, completou.

A declaração foi feita durante palestra no evento Estabilidade Financeira e Perspectivas para 2026 e 2027, promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC). Na avaliação do presidente do BC, o problema central estava na combinação entre dificuldades de liquidez, dúvidas sobre a qualidade dos ativos e suspeitas envolvendo carteiras de crédito, o que levou à intensificação da supervisão a partir do fim de 2024. Galípolo afirmou que o caso do Banco Master precisa ser analisado com cautela e diferenciado de grandes crises bancárias do passado, que envolveram instituições com relevância sistêmica para o país.

Ao explicar como funciona um banco, Galípolo disse que o negócio depende do equilíbrio entre o que a instituição paga aos investidores e o que recebe dos tomadores de crédito. ‘Você precisa receber mais juros do que você paga e receber o dinheiro antes do que você tem que pagar’, afirmou, ao mencionar o chamado ‘casamento’ entre ativo e passivo. Segundo ele, mesmo sem captar novos recursos, um banco pode manter a solvência se essa estrutura estiver bem organizada. No caso do Master, Galípolo disse que o debate público deveria ter se concentrado na qualidade dos ativos, e não apenas no custo da captação.

Ao diferenciar o episódio de crises bancárias históricas, ele lembrou que Bamerindus, Econômico e Nacional tinham relevância sistêmica, o que tornava os processos de intervenção e liquidação mais complexos. No caso do Master, disse, tratava-se de uma instituição de menor porte, comparável a ‘um time da terceira divisão’. Segundo ele, a repercussão não se explica pelo tamanho do banco, mas pelo fato de o episódio ter ido além do debate financeiro e envolver suspeitas que exigiram atuação conjunta com autoridades investigativas.

Sobre a trajetória da taxa básica de juros, mantida em 15% ao ano na última reunião do Copom, Galípolo afirmou que as sinalizações de corte a partir de março não devem ser interpretadas como uma ‘volta da vitória’ no combate à inflação. Segundo ele, o Banco Central entrou em uma fase de calibragem da política monetária, em que o foco é observar os dados e ajustar o grau de restrição necessário para garantir a convergência da inflação à meta. Galípolo reconheceu que houve melhora no ambiente inflacionário desde o fim do ciclo de alta dos juros, com avanço tanto nas expectativas quanto na inflação corrente.

Ao mesmo tempo, destacou que a atividade econômica se mostrou mais resiliente do que o esperado, mesmo com a taxa básica em patamar restritivo. ‘A atividade se mostrou mais resiliente do que se esperava naquele momento do que se esperava para uma taxa de juros no patamar de contração que a gente colocou’, disse. Segundo ele, o Banco Central não persegue um nível específico de taxa de juros real, mas ajusta a política a partir da leitura dos dados.

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