Arquivos de Epstein expõem vítima de 9 anos e ampliam denúncias de acobertamento
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA reacendem pressão política por
transparência sobre nomes influentes ligados ao esquema de abuso sexual
10 de fevereiro de 2026, 06:45 h
Jeffrey Epstein (Foto: Divulgação via Reuters)
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247 – A divulgação e análise de documentos não editados ligados ao financista
Jeffrey Epstein trouxeram à tona uma revelação chocante: a existência de uma
vítima de apenas nove anos de idade no esquema de abusos sexuais investigado
pelas autoridades norte-americanas. A constatação foi feita por parlamentares
que revisam milhões de arquivos liberados recentemente e voltou a alimentar
acusações de que figuras poderosas teriam sido protegidas ao longo das
investigações.
Segundo o parlamentar democrata Jamie Raskin, os documentos mostram referências
a vítimas cada vez mais jovens, indicando a gravidade e a extensão do esquema.
“— Você lê sobre meninas de 15, 14, 10 anos. Hoje vi a menção a uma menina de
nove anos. Isso é simplesmente escandaloso —”, afirmou Raskin
Além da idade das vítimas, os congressistas apontam indícios de censuras
seletivas que teriam protegido identidades de homens influentes citados nos
autos. O deputado republicano Thomas Massie declarou que um dos documentos faz
referência a alguém que ocupa um cargo “bastante alto em um governo
estrangeiro”, cujo nome foi ocultado sem justificativa clara. Já o democrata Ro
Khanna questionou a lógica das tarjas aplicadas, observando que rostos e imagens
de pessoas públicas aparecem censurados, enquanto não há explicações formais
para essas omissões.
Os parlamentares analisam cerca de três milhões de arquivos tornados públicos
pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Department of Justice) no mês
passado. Ainda assim, estimativas apontam que o governo norte-americano mantém
sob custódia outros três milhões de documentos relacionados ao caso Epstein, o
que reforça a pressão política por uma liberação mais ampla do material.
Diante das críticas, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que parte das
censuras foi removida recentemente. Segundo ele, os trechos ocultados diziam
respeito, em muitos casos, à proteção legal de vítimas de crimes sexuais. “—
Revelamos todos os nomes que não eram de vítimas. O Departamento de Justiça está
comprometido com a transparência —”, escreveu Blanche em uma publicação nas
redes sociais.
O avanço da revisão documental ocorre em paralelo ao silêncio de Ghislaine
Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein. Condenada a 20 anos de prisão por
tráfico sexual, ela foi convocada a depor sob juramento em uma penitenciária no
Texas, mas invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos e se
recusou a responder às perguntas do Comitê de Supervisão da Câmara dos
Representantes.
Entre os arquivos que tiveram censuras parcialmente retiradas, um dos documentos
menciona um e-mail enviado a Epstein contendo a frase “adorei o vídeo de
tortura”. De acordo com Todd Blanche, o nome do remetente aparece sem ocultação
e seria do empresário emiradense Sultan Ahmed Bin Sulayem, já citado
anteriormente nos autos do processo.




