Proprietário de academia em SP teria apagado mensagens orientando funcionário sobre produtos químicos na piscina, diz delegado.

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Morte em academia: dono teria apagado mensagens orientando funcionário sobre uso de químicos na piscina, diz delegado

Segundo a Polícia Civil, as conversas indicariam que Severino José da Silva, de 43 anos, recebia orientações diretas dos proprietários sobre a quantidade e o uso de produtos químicos, mesmo sem ter qualificação técnica para a função.

Polícia de SP investiga intoxicação de alunos durante aula de natação em academia

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A Polícia Civil investiga se o dono da academia onde a professora Juliana Bassetto morreu após uma aula de natação apagou mensagens de WhatsApp trocadas com o funcionário que fazia a manutenção da piscina.

Segundo o delegado Alexandre Bento, as conversas indicariam que Severino José da Silva, de 43 anos, recebia orientações diretas dos proprietários sobre a quantidade e o uso de produtos químicos, mesmo sem ter qualificação técnica para a função.

O caso ocorreu no último sábado (7), na Academia C4 Gym, Zona Leste de São
Paulo. A principal suspeita das autoridades é que a manipulação inadequada de produtos químicos próximo à área de aula, em um ambiente fechado e com pouca ventilação, tenha provocado a liberação de gases tóxicos.

De acordo com o delegado, Severino atuava seguindo instruções enviadas à
distância pelos donos da academia.

Ele [Severino] recebia uma orientação via WhatsApp. Ele mandava mensagem, fazia medição da piscina, e um dos sócios da empresa fazia as orientações, dizia ‘Olha, põe a porção tal de cloro’. Tudo a distância, sem nenhum contato presencial. O Severino não tem nenhuma qualificação pra prestar os serviços, ele mesmo declara que não é habilitado, não fez curso de piscineiro

— afirmou Alexandre Bento.

“O relato que temos é que o proprietário apagou parte das mensagens que foram
trocadas [com Severino] pra tentar se escusar da responsabilidade das instruções. Estamos tentando a localização e apresentação deles.”

FUNCIONÁRIO PRESTOU DEPOIMENTO

O funcionário da academia prestou depoimento nesta terça-feira (10). Severino
José da Silva chegou por volta das 10h, acompanhado da advogada. A defesa
afirmou que ele apenas cumpria ordens dos donos da empresa.

Em seu depoimento, o homem disse que, há um ano, quando a piscina deu problema, um técnico fez o serviço para regularizar a situação da água. O profissional teria oferecido os serviços permanentes, mas o dono não quis e optou por manter tudo sob responsabilidade de Severino.

“O meu cliente é apenas um colaborador da academia, ele foi uma ferramenta e
obedeceu a ordens”, disse Bárbara Bonvicini, advogada de Severino.

A polícia afirma que Severino é o homem que aparece em imagens gravadas no
sábado (7) manipulando produtos químicos dentro da academia. Em depoimento, ele
afirmou que deixava os produtos preparados na borda da piscina.

Segundo Alexandre Bento, o procedimento descrito indicaria que a aplicação
poderia ser feita por outros profissionais ao longo do dia.

RISCO DA MISTURA DE PRODUTOS

O professor de química Reinaldo Bazito, da Universidade de São Paulo (USP),
explicou os riscos da mistura incorreta de produtos químicos usados em piscinas.
Segundo ele, o cloro granulado diluído em água, se usado de acordo com a
indicação do fabricante, não produz gases tóxicos. O problema ocorre quando há
mistura com outros produtos de maneira não recomendada.

“Nesse caso, ocorre uma borbulha, que é a produção de cloro gasoso, altamente
tóxico”, explicou.

“Se a gente gerar em quantidade excessiva na piscina, ele pode causar intoxicação pra pessoa, danos pulmonares permanentes e até a morte”, afirmou o
professor.

Uma resolução do Conselho Federal de Química determina que piscinas de uso
coletivo, como as de academias, clubes e condomínios, tenham a responsabilidade
técnica de um profissional da área. O conselho informou que, se houver
tratamento químico da água, a pessoa responsável deve ter treinamento básico em
química.

EFEITOS DO CLORO INALADO

Quando uma pessoa respira cloro, a substância reage com a água presente nas
mucosas do nariz, dos olhos, da garganta e das vias aéreas do pulmão.

“Quando esse cloro se liga com essa água, ele vira um ácido, que é o ácido
clorídrico, o ácido hipocloroso, mas, de qualquer forma, uma substância irritante. E daí vão começar a aparecer alguns sintomas dessa irritação”, explicou André Apanavicius, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês.

Segundo o médico, a gravidade dos sintomas depende da quantidade de cloro
inalado.

“Você pode ter casos mais leves, como só uma irritação local, até quadros
muito mais graves. Além de ele poder inflamar as vias aéreas do pulmão, ele
pode levar ao extravasamento de líquido do pulmão por causa dessa inflamação
gerada. E isso pode ocasionar uma morte eventualmente, se não for bem
tratado.”

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