Lavrov, ministro russo, fala sobre a transformação multipolar e desafios das potências emergentes no cenário internacional

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Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, declarou que o cenário internacional está passando por uma transformação estrutural em direção a uma ordem multipolar. Segundo ele, países ocidentais estariam utilizando sanções, tarifas e mecanismos financeiros para tentar conter o avanço de novas potências econômicas. Em entrevista à BRICS TV, Lavrov abordou o papel do bloco, a política externa russa e a disputa global por influência.
Durante a entrevista, Lavrov ainda discutiu o Dia do Diplomata, celebrado em 10 de fevereiro na Rússia, destacando a importância de garantir condições externas favoráveis ao desenvolvimento interno do país. Ele ressaltou que o Ministério das Relações Exteriores tem como missão assegurar o ambiente adequado para o desenvolvimento interno, mesmo diante de um cenário hostil marcado por tentativas de isolamento internacional.

O chanceler russo enfatizou que a política externa russa é definida por Vladimir Putin e que mudanças profundas estão refletidas no Conceito de Política Externa, aprovado em março de 2023. Lavrov destacou o trabalho do Ministério em áreas como comércio, investimentos e cooperação científica, além de manter ações coordenadas em organismos multilaterais como a ONU. Ele salientou a atenção especial dada ao espaço pós-soviético e a estruturas regionais como CEI, UEEA e OTSC para garantir a segurança e estabilidade.

O ministro russo criticou os EUA e aliados por não aceitarem a perda de influência global, reagindo de forma agressiva ao fortalecimento de países emergentes como China, Índia e Brasil. Lavrov apontou que o Ocidente busca preservar a ordem internacional atual, baseada em instituições como FMI, Banco Mundial e OMC, diante do crescimento acelerado das economias do BRICS. Ele ressaltou que o bloco supera o G7 em termos de paridade de poder de compra, o que tem gerado uma tentativa de conter essa transição.

Em relação à Ucrânia, Lavrov destacou a preocupação russa com a segurança e a sobrevivência do país diante de ameaças externas. Ele acusou o Ocidente de apoiar um “Estado nazista” no país e defendeu a garantia de proteção aos russos e falantes de russo em regiões controversas como a Crimeia. O ministro reiterou a importância de desmantelar fundamentos nazistas e manter a segurança no território russo.

Lavrov também abordou a relação com os Estados Unidos, afirmando que, apesar de discursos de encerramento de conflitos, as sanções permanecem. Ele citou exemplos de medidas adotadas mesmo após encontros diplomáticos entre Putin e Trump. O chanceler mencionou a busca de alternativas financeiras independentes, destacando propostas discutidas durante a presidência do BRICS em 2024. Entre as iniciativas estão plataformas de pagamento alternativas e mecanismos de liquidação em moedas nacionais.

Por fim, Lavrov defendeu a proposta da Grande Parceria Eurasiática, destacando a importância da Eurásia como centro de crescimento global. Ele criticou instituições euro-atlânticas como OTAN e União Europeia, sugerindo a formação de uma arquitetura continental de segurança. O chanceler enfatizou os desafios enfrentados pelo BRICS, ressaltando a importância dada pela Índia à segurança e inovação. Ele alertou sobre o uso militar de inteligência artificial e elogiou o programa da presidência indiana do bloco.

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