Ronnie Lessa revela esquema de bingo clandestino na Barra da Tijuca em novo testemunho

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Em um novo testemunho, Ronnie Lessa admite parceria com Rogério de Andrade e descreve um esquema de bingo clandestino na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em um interrogatório obtido de forma exclusiva, o ex-policial militar condenado pela morte da vereadora Marielle Franco confessou a prática de crimes relacionados a jogos ilegais e narrou a negociação de propina com policiais para garantir o funcionamento do esquema.

Esse depoimento de Ronnie Lessa, que foi condenado a 78 anos de prisão pelo assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, revela minúcias de um esquema ilegal de jogos e corrupção policial na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Lessa admitiu ter tido uma sociedade em atividades ilícitas com o bicheiro Rogério de Andrade, um dos principais nomes do mundo do crime no estado.

O depoimento foi realizado por videoconferência em janeiro deste ano. Na ocasião, Lessa relatou como abriu um bingo clandestino na região do Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, em 2018, e afirmou ter negociado diretamente com policiais civis e militares para viabilizar e manter o negócio em funcionamento. De acordo com Lessa, cada território no submundo do jogo ilegal possui um responsável, e a Barra da Tijuca estaria sob o domínio da família Andrade.

Após firmar a parceria com Rogério de Andrade, Lessa buscou um acordo com a polícia. Ele mencionou que contatou o delegado Marcos Cipriano, amigo de infância, para intermediar a relação com a então titular da delegacia da Barra, Adriana Belém. Lessa explicou que era necessário obter autorização daqueles que controlavam a área antes de iniciar o bingo.

Mesmo após acertar o pagamento de propina com um policial militar, o bingo foi interditado no dia da inauguração, e máquinas de apostas foram apreendidas. No entanto, a quadrilha conseguiu reaver o equipamento dias depois através de um novo acordo corrupto. O depoimento de Lessa apontou o envolvimento de policiais nos crimes ligados ao bingo clandestino.

Os delegados Marcos Cipriano e Adriana Belém foram presos em uma operação do Ministério Público que investigou a rede de jogos ilegais no Rio. Nas buscas na residência de Adriana Belém, cerca de R$ 1,8 milhão em dinheiro foram apreendidos. Atualmente, os dois respondem em liberdade por corrupção. Ronnie Lessa também mencionou a relação do crime da vereadora Marielle Franco com seu envolvimento em outros delitos, incluindo o assassinato da mesma.

Em 2024, Lessa admitiu ter sido o autor dos disparos que vitimaram Marielle e Anderson e fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Ele ficará preso em regime fechado até 2037, de acordo com o acordo estabelecido. Uma série de desdobramentos se seguiram após os depoimentos de Lessa, incluindo a condenação dos responsáveis pela inauguração do bingo ilegal na Barra da Tijuca.

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