Um relatório recente divulgado por De chocou o mundo ao apontar que, durante um genocídio em Gaza, Israel utilizou armas térmicas dos Estados Unidos que causaram o desaparecimento de milhares de palestinos. Segundo a investigação da Al Jazeera, a utilização de bombas termobáricas resultou na evaporação de corpos, deixando muitas famílias sem nem mesmo a possibilidade de enterrar seus entes queridos.
A história de Yasmin Mahani, que procurava desesperadamente por seu filho Saad entre os escombros em Gaza, é um exemplo doloroso desse trágico cenário. Com o marido em estado de choque e apenas fragmentos humanos espalhados em uma mesquita próxima, o relato de Mahani ressoa com a realidade de inúmeras outras famílias palestinas que vivenciaram o desaparecimento de seus entes queridos durante o genocídio.
De acordo com a investigação, mais de 2.800 palestinos foram documentados como desaparecidos desde o início do conflito em outubro de 2023. Em muitos casos, restaram apenas vestígios de sangue e pequenos fragmentos de tecido humano, tornando impossível a identificação dos corpos. O procedimento utilizado pela Defesa Civil de Gaza para investigar tais desaparecimentos ressalta a gravidade da situação.
Especialistas apontam que o uso de armas termobáricas, capazes de gerar temperaturas extremas, contribuiu significativamente para a evaporação dos corpos. Detalhando como essas armas funcionam, os especialistas explicam que a combinação de substâncias químicas específicas gera uma bola de fogo que pode atingir calor superior a 3.000 graus Celsius, resultando na vaporização instantânea dos fluidos corporais.
A Al Jazeera identificou modelos de armamentos norte-americanos, como a MK-84 ‘Hammer’, a BLU-109 e a GBU-39, que teriam sido utilizados em ataques específicos em Gaza. O diretor-geral do Ministério da Saúde palestino em Gaza descreve o impacto devastador dessas armas sobre o corpo humano, ressaltando a cruel realidade enfrentada pelas vítimas e suas famílias.
Além das repercussões locais, especialistas em direito internacional apontam uma responsabilidade global no caso. A advogada Diana Buttu destaca a cumplicidade internacional na continuidade do fornecimento de armas utilizadas em ações que violam o direito humanitário. O questionamento sobre a eficácia da justiça internacional diante desses crimes evidencia a necessidade de medidas mais enérgicas para responsabilizar os envolvidos.
A tragédia em Gaza continua a desafiar o sistema de justiça global, com relatos de impunidade e violações contínuas dos direitos humanos. Enquanto a comunidade internacional debate soluções e ações para evitar novas tragédias, famílias como a de Rafiq Badran, que perdeu quatro filhos no conflito, lidam com a dor insuportável de não poder sequer enterrar seus entes queridos. O mundo observa atentamente em busca de respostas e justiça para os que evaporaram sem deixar rastros.




