Tragédia em academia de SP: Donos indiciados por morte em piscina com produtos químicos

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Morte em piscina em SP: Polícia indicia três donos de academia por homicídio com dolo eventual

Juliana Faustino Bassetto morreu após aula de natação na academia C4 Gym, no sábado (7). Segundo delegado, existem indícios de que manobrista que fazia manutenção da piscina recebia orientação direta dos proprietários sobre uso de produtos químicos.

Proprietários da academia C4 Gym, onde mulher morreu no fim de semana, chegam à delegacia para prestar depoimento — Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil indiciou nesta quarta-feira (11) por homicídio com dolo eventual os três donos da academia DE, onde uma mulher morreu no fim de semana após aula de natação, na Zona Leste de São Paulo.

Os três compareceram nesta quarta à sede do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas) para prestar depoimento.

Homicídio com dolo eventual é quando a pessoa não quer diretamente matar alguém, mas assume o risco de que a morte possa acontecer ao praticar determinada conduta.

No Direito Penal, existe diferença entre:

* Dolo direto: quando há intenção clara de matar.
* Dolo eventual: quando a pessoa prevê que sua atitude pode causar a morte, mas mesmo assim decide agir.
* Culpa: quando não há intenção nem aceitação do risco, mas ocorre negligência, imprudência ou imperícia.

Os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração chegaram acompanhados de dois advogados, e foram ouvidos pelo delegado responsável pela investigação.

Segundo o delegado Alexandre Bento, existem indícios de que o manobrista Severino José da Silva, de 43 anos, recebia orientações diretas dos proprietários, via Whatsapp, sobre o uso de produtos químicos na piscina, mesmo sem ter qualificação técnica para o trabalho.

A principal suspeita das autoridades é que a manipulação inadequada de produtos químicos próximo à área de aula, em um ambiente fechado e com pouca ventilação, tenha provocado a liberação de gases tóxicos.

No último sábado (7), a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal depois de sair da aula e morreu horas depois no Hospital Santa Helena, em Santo André.

Problema era antigo, segundo ex-funcionário

De manhã, um ex-professor de natação da academia afirmou que já observou problemas no tratamento da água da piscina no período em que trabalhou lá, em 2024. Ao menos sete pessoas relataram sinais de intoxicação nesta semana.

Em entrevista à TV Globo, Thygo Araújo, que trabalhou na C4 Gym durante três meses, disse que era comum sentir irritação na pele e incômodo para respirar devido ao cheiro forte – não apenas de cloro, mas de alguma substância que ele não conseguiu identificar.

Ele disse que na época era um dos donos que fazia o tratamento da água da piscina e que houve uma ocasião em que as aulas tiveram que ser interrompidas devido ao odor dos produtos químicos.

Piscina da academia C4 Gym, na Zona Leste, onde professora fez aula de natação e teve problemas respiratórios que a levaram à morte. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo

Os três sócios da academia DE, no Parque São Lucas, devem ser ouvidos nesta quarta pela Polícia Civil. O advogado que assumiu a defesa disse que eles devem se apresentar por volta das 17h. O delegado responsável afirmou que não os intimou pois ainda está reunindo provas.

MANOBRISTA FAZIA MANUTENÇÃO DA PISCINA

O manobrista da academia, Severino José da Silva, de 43 anos, responsável pela manutenção da piscina, disse à polícia que o proprietário do local ligou para ele no domingo (8) e o alertou sobre as investigações: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”.

O funcionário afirmou à polícia que, assim que percebeu que as pessoas estavam passando mal no sábado (7), tentou entrar em contato com o dono do estabelecimento, que se chama Celso, mas não obteve resposta.

Segundo ele, o retorno só ocorreu às 14h11, quando a academia já havia sido esvaziada. Ao relatar o ocorrido, o proprietário, que se chama Celso, teria respondido apenas: “Paciência”. A ligação teria ocorrido às 10h30 do dia seguinte.

Depoimento do manobrista da academia Severino José da Silva, de 43 anos, à polícia — Foto: Reprodução/TV Globo

Além da aluna que morreu, outras seis pessoas precisaram de atendimento ou relataram sintomas de intoxicação. As vítimas são:

* Vinicius de Oliveira (marido de Juliana): internado em estado grave na UTI, com insuficiência respiratória;
* Adolescente de 14 anos: internado em estado grave na UTI;
* Aluna de 29 anos: internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia;
* Aluno internado em leito comum;
* Quinta vítima: não foi divulgada mais informação sobre o seu estado de saúde.
* Sexta vítima: procurou a Polícia Civil nesta quarta para relatar que passou mal

Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, aparece na área da entrada da academia e se senta. O marido dela, Vinícius Oliveira, de 31 anos, fica ao lado — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Com base nas informações disponíveis até o momento, a investigação continua em andamento para esclarecer os fatos e determinar as responsabilidades dos envolvidos na tragédia ocorrida na academia DE, reforçando a importância da segurança e do correto manuseio de materiais químicos em ambientes públicos. A justiça agirá conforme as provas colhidas e os depoimentos dos envolvidos, em busca de fazer justiça pela vida da vítima e pelo bem-estar dos demais envolvidos no ocorrido.

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